Opinião
Dengue e espanto - Editorial
Os meios de comunicação repercutiram a afirmativa do governador Teotonio Vilela que se espantou ao ser informado sobre os números dos feitos da epidemia de dengue que ressurgiu recentemente em vários municípios do território alagoano. Porém, em todo o Estado e, provavelmente, nos demais, no País inteiro, não existem motivos para espanto, e sim de temores provocados pela dengue e outras doenças de vinculação hídrica por causa das crônicas e persistentes deficiências nas políticas de saúde e de infra-estrutura. Do acesso à água de qualidade ao destino final dos dejetos e lixo sólido das residências e outras origens. São comuns, inclusive, nas mesmas ruas ou nas praças onde estão localizadas as sedes de governos estaduais e municipais, bem como das nossas casas legislativas, de outras instituições públicas ou não, esgotos a céu aberto e depósitos improvisados de lixo. Até mesmo nas cidades das regiões mais desenvolvidas do País, como o Sul e Sudeste, onde os níveis de investimentos, de informações, de educação e de conscientização e das pressões das forças políticas são maiores. Não pode ser justificável o fator surpresa diante da ameaça e da situação de calamidade causadas pela dengue quando o próprio ministro da Saúde admite, publicamente, que o Brasil perdeu a guerra contra o mosquito transmissor da enfermidade causadora do maior caos da história do Rio de Janeiro na área da saúde já no século 21. Mas o que fazer, quando temos Estados como o nosso, no terceiro milênio, com a quase totalidade de suas cidades usando os rios, além das lagoas, riachos e outras fontes de água e vida como destinos finais dos diversos e perigosos tipos de lixo? São dados reais que exigem uma resposta imediata e forte para se evitar que eles aumentem e a calamidade se instale. Cabe ao governo, além do espanto, a aplicação de ações eficientes.