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Ter poder n�o � dominar, mas servir

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| DOM FERNANDO IÓRIO * Autoridade tem, no mundo atual, um novo nome: serviço. Pessoa alguma pode augurar o direito de mandar, se não tiver a vocação de servir. Só há lugar na cadeira de mandar para quem souber calçar as sandálias do servir. Todos os tiranos desabarão, todos os totalitarismos de esquerda ou de direita ruirão quando o ideal de servir tiver sua bandeira nas mãos dos legítimos líderes, servidores do povo. Ter poder não é dominar, senão servir. Nos documentos do Concílio Ecumênico Vaticano 2, podemos descobrir 190 textos, falando sobre o serviço da autoridade em favor do povo, assim distribuídos: 40, na Constituição sobre Igreja; 8, no Decreto sobre Ecumenismo; 7, no Decreto sobre os Bispos; 8, no Decreto sobre a Formação dos Sacerdotes; 14, no Decreto sobre o Apostolado Leigo; 20, no Decreto sobre as Missões; 42, no Decreto sobre o Ministério e a Vida dos Presbíteros; 33, na Constituição sobre a Igreja no Mundo Moderno; 5, na Constituição sobre a Revelação Divina; 1, no Decreto sobre a Educação; 1, na Declaração sobre a Relação da Igreja com as Religiões não ? cristãs; 2, na Declaração sobre a Liberdade Religiosa. Aliás, não é outro senão Jesus Cristo quem nos fala sobre o ideal de servir: ?Não vim para ser servido, mas para servir?. E alhures: ?quem quiser ser o primeiro ou o maior, procure ser o servidor de todos?. A princesa Isabel, pequenina ainda, ao ver o imperador, seu pai, recebendo expressiva homenagem da multidão, perguntou-lhe: ? ?Papai, todo esse povo é para nos servir?? ? ?Não, minha filha, respondeu o soberano, nós é que devemos servir a este povo?. Infelizmente, ao lado de tantos homens de poder, que pensam no povo, há legiões de egoístas que fazem do poder uma desonesta escada de prestígio, de vingança, de vaidade, de perseguição, de subida, não poucas vezes, envolvidas na corrupção. Ultimamente o que temos ouvido, visto e lido, nos ?mass média?, é a tecla gasta do político servidor mais do partido que do povo, do bem comum. Ninguém foi eleito para trair o povo, em benefício do partido. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.

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