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Uma amiga chamada intui��o

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| JOSÉ MEDEIROS * Quando falamos em intuição, não é difícil encontrarmos quem a considere algo fantasioso ou mera adivinhação. Conceituar intuição é uma tarefa das mais difíceis. Se buscarmos nos dicionários, encontraremos algo do tipo: ato de ver, perceber, discernir, pressentir. Para mim, a intuição é uma percepção, em sua plenitude, de uma verdade que normalmente não chega por meio da razão ou do conhecimento discursivo ou analítico. A intuição pode fornecer-nos súbitas revelações, percepções, pressentimentos, diferentes perspectivas sobre uma mesma realidade. Podemos intuir, de repente, sem qualquer lógica, que é melhor seguir por aqui do que por ali; e isso pode revelar a decisão mais coerente. Talvez tenha acontecido com você, leitor, o seguinte fato: pensa-se em alguém de nossa relação de amizade, o telefone toca, e segundos depois, a pessoa em que se pensou, fala. Um exemplo curioso: numa fazenda onde morei, durante minha infância, um menino caminhava descalço em direção ao pomar. Repentinamente, pára, e sem saber o porquê, deixa de dar o próximo passo. Olha para o chão e fica assustado: uma cobra cascável estava enrodilhada, a dois palmos de onde se encontrava. Tivesse dado o próximo passo, fatalmente teria pisado o ofídio e seria picado por essa cobra venenosa. Intuição? A explicação da mãe do garoto foi simples e linear: o anjo da guarda o protegeu. Um amigo me relatou que teve um sonho agitado com um tio que há anos não via. Pela manhã, recebeu a notícia de que ele havia sofrido um acidente, morrendo duas horas depois. Premonição? Num outro ângulo, sonhos podem ser a realização de um desejo, pensamento fixado numa determinada idéia. Um episódio explicado como intuição, pela terapeuta Lúcia Rosemberg (SP): ?Ela desistiu, na última hora, de uma viagem marcada para Campos do Jordão. Era réveillon. Iria com os filhos. Na hora de arrumar as malas sentiu uma preguiça inexplicável, daquelas de se encostar no batente da porta e falar: ? Ah, não quero mais... Não foi?. No dia seguinte, 2 de janeiro, no meio da noite, caiu um raio na casa; pegou fogo na fiação e o quarto onde estariam seus filhos foi totalmente destruído. Para a terapeuta, ter escutado a própria intuição evitou a tragédia. Não é à toa que a intuição é um importante aspecto até nas pesquisas científicas. Um poder mental que nem sempre pode ser explicado. (*) É médico e ex-Secretário de Saúde e de Educação.

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