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Jorge Ribeiro Toledo: um doutor por pura genialidade

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| JOÃO TENÓRIO * Na virada da década de 60 para 70, regressava a Alagoas depois de anos de estudos em Recife, onde me formara em Engenharia Química. Naquela mesma época, também regressava ao Estado, vindo da mesma universidade, meu amigo Luiz Ernesto Maranhão. Éramos dois dos primeiros ?doutores? de nossa geração, devidamente diplomados em Engenharia, a retornar ao ponto de partida: as usinas alagoanas ? sedentas de aperfeiçoamentos tecnológicos. Regressamos empolgados. Com entusiasmo, debruçamo-nos sobre as usinas de nossas respectivas famílias, dispostos a aplicar tudo que havíamos aprendido na Universidade Federal de Pernambuco e em cursos suplementares de nível superior. E aí, tremenda surpresa: a realidade era bem diferente da teoria. Não entendíamos como aquelas fábricas de então, recheadas de processos industriais empíricos, funcionavam tão bem como funcionavam. Os doutores estavam perdidos. Desarvorados, fomos acolhidos ? nós, os doutores diplomados ? por um doutor portador do que se chamava então de ?curso colegial?. Um sábio, sereno e seguro, autodidata insaciável, proprietário de uma inteligência extraordinária: Jorge Ribeiro Toledo. Sabíamos que a sua inteligência fora de série era um bem de família, tal como demonstravam seus irmãos. Cândido, por exemplo, era então um consagrado professor universitário e um dos pioneiros do revolucionário Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos/SP. Jorge era tão gênio como o irmão o é; talvez fosse mais genial ainda, pois construía soluções admiráveis em todos os campos da engenharia industrial, nas complexas condições das usinas alagoanas, sem ter tido nenhuma educação superior formal. Jorge Toledo ia além do conhecimento prático. Teorizava sobre delicados problemas da produção fabril, física aplicada, da engenharia mecânica, elétrica, da química... Sua teoria não era ?solta?, diletante, mas era aquela decorrente da capacidade dos seres humanos especiais em abstraírem raciocínios sofisticados a partir dos problemas enfrentados na prática cotidiana. Ao ?velho? Jorge, os jovens ? como eu e Luiz Ernesto ? nos dirigíamos regularmente. Primeiro, às pressas, para pedir socorro prático frente a algum problema encontrado; depois, com vagar, buscando sua guia segura para as abstrações necessárias ao planejamento de ousados projetos industriais. E essas novas plantas industriais floresceram a partir da década de 70, quando o desafio deixou de ser fazer ?remendos? nas velhas fábricas e passou a ser a concepção e construção de modernas unidades produtoras. E, durante toda esta caminhada modernizadora, aos saltos, atravessando décadas, o autodidata Jorge Toledo nunca deixou de ser um cérebro à vanguarda. Sempre pensava adiante, sempre dava seu toque de gênio, sempre ensinava algo aos ?doutores diplomados?. Doutor Jorge Ribeiro Toledo: este seu aluno muito lhe agradece pelas lições recebidas durante todos esses anos. Lições as quais nunca tive como retribuir à altura. Nem mesmo agora, com essas linhas escritas num magro tributo a sua enorme sabedoria e inesgotável generosidade. Professor, doutor, amigo Jorge Ribeiro Toledo: minhas saudades e meu muito obrigado por tudo. (*) É senador da República.

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