Opinião
Contra a dengue - Editorial
A população alagoana convive com uma nova epidemia de dengue, oficialmente confirmada, desde os primeiros dias do mês passado em várias cidades alagoanas. Isso quando o País já estava mais do que assustado com a pior situação de caos ocorrida na história do Rio de Janeiro, causada pelo mosquito transmissor da doença e com a constatação do aumento fantástico de casos nas capitais e em outras cidades mais populosas do território brasileiro. De acordo com informações recentes, divulgadas pela Agência Estado, a partir do cruzamento de dados entre o Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), do Ministério da Saúde, com mapas de circulação dos vírus da dengue, pelo menos 30 cidades brasileiras, incluindo sete capitais, têm risco de apresentar uma epidemia semelhante à do Rio, por apresentarem uma combinação perigosa: alta infestação desse inseto, aumento do vírus da dengue tipo 2 ? mais agressivo ? e um número considerável de pessoas suscetíveis à contaminação, principalmente crianças que nasceram durante e depois da década de 90. As autoridades sanitárias, inclusive ligadas ao Ministério da Saúde, passaram a recomendar esforços redobrados, sobretudo no verão do próximo ano. Mas, lógico, que as medidas abrangentes e adequadas nas ocasiões como agora não serão completas se as necessidades de investimentos para a melhoria real das condições sanitárias da maioria do povo, em todas as regiões do País, não somente forem lembradas com a constatação das calamidades. Um dos exemplos da falta de atenção com a antiga e ainda permanente quantidade lastimável de deficiências referentes à saúde pública, do acesso à agua de qualidade à assistência médica e ações educativas, é a mobilização em todo o Estado para mais um Dia D contra uma epidemia em Alagoas.