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Opinião

Dos jogos sujos

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| MARCOS DAVI * Apesar de todas as evidências públicas e notórias, de que existe um dossiê em execução no Planalto com os gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique e até de dona Ruth, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, manteve veemente negativa sobre a existência do mesmo em audiência no Senado. Afirma que é apenas um banco de dados e que só se devem expor os gastos do governo depois que ele deixar o poder. Ora, mas é justamente quando está no poder que é indispensável o controle social destes gastos, no sentido mais do que salutar de poder contê-los em um nível tolerável. Depois que o dique arrebentou e a água vazou inundando tudo abaixo da represa, só resta enterrar os afogados, que são sempre os mesmos ? os contribuintes. Esta poderia e deveria ter sido a premissa maior da audiência de sua excelência no Senado, mas paradoxal e incrivelmente foi com a ajuda da oposição, principalmente do senador José Agripino que a ministra Dilma conseguiu passar de algoz a vítima. Configurou-se naquela audiência pública, e por parte da oposição e não do governo, a velha receita de usar a ação audaz, que neste caso foi pura agressão. Agripino, apesar da vasta experiência, foi tolo como uma criança, pois todos os tolos são audazes. Não abriu caminho com cautela e prudência, que poderiam lhe abrir as trilhas para se debater o que realmente interessava o País: os gastos públicos excessivos, que podem inviabilizar em pouco tempo o investiment grade tão ansiosamente esperado. Agripino jogou sujo e teve a sua catastrófica débâcle transmitida ao vivo para milhares de brasileiros. Aquele momento encaixa-se perfeitamente na máxima de Baltasar Gracian, que afirmava que o homem prudente pode ser obrigado a lutar, mas não com jogo sujo: cada um deve agir como quem é não como o obrigam. Na competição, a elegância é plausível: deve-se lutar não somente com o poder, mas com a decência. Vencer com maldade não é vitória, mas rendição. A generosidade sempre foi superior. O homem de bem nunca usa armas proibidas. Audactere caluniare, semper aliquid haeret (caluniar audaciosamente, algo sempre pega), é uma prática corriqueira e uma praga disseminada no País; perdem-se assim, não só muitas oportunidades de se debater com clareza e profundidade assuntos primordiais, como os gastos públicos, como também muita coisa importante deixa de ser esclarecida no dia-a-dia de todos nós. Neste caso, mesmo fazendo uso de flagrante animus laedendi, Agripino deu-se mal; que bom que na vida fosse sempre assim. (*) É médico e professor da Uncisal.

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