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13 de Maio: a �nica revolu��o social do Brasil

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| MÁRIO MAESTRI * O Brasil foi uma das primeiras nações americanas a instituir e a última a abolir a escravidão, que dominou 350 dos nossos 508 anos de história. Apesar da superação do escravismo constituir o mais significativo fato do nosso passado, neste 13 de Maio, o aniversário da abolição transcorrerá, outra vez, semi-esquecido. A abolição já foi data magna, relembrada e festejada. Nos últimos anos, tem sido objeto de críticas radicais e verdadeira conspiração de silêncio. Paradoxalmente, essas iniciativas recebem o apoio do movimento negro brasileiro que, ao contrário, deveria desdobrar-se na sua celebração e na discussão de significado histórico dessa efeméride. Com o fim da ditadura militar, em 1985, a organização popular e entidades negras combativas criaram as condições para desnudar a triste realidade subjacente à proposta da ?democracia racial e fraternidade? brasileiras. Desde os anos sessenta, as descrições fantasiosas sobre o passado do Brasil foram refutadas por cientistas sociais respeitáveis. Porém, em geral, esses autores negaram significado histórico à abolição. Definiam a sua superação como um ?negócio de brancos?, onde os cativos não teriam tido papel significativo e ganhos substanciais. Em fins dos anos setenta, o movimento negro retomou sem crítica essa tese, para melhor denunciar a situação da população afrodescendente. Para melhor criticar os mitos da emancipação do povo negro em 1888, o movimento negro propôs a abominação do 13 de Maio e a celebração do 20 de Novembro como dia nacional da consciência negra no Brasil, data da morte de Zumbi, em 1695, o último grande chefe palmarino. Apesar de bem intencionadas, essas leituras consolidaram as interpretações do 13 de Maio dos ideólogos das classes proprietárias, que procuravam escamotear a abolição como resultado do esforço dos cativos aliados aos setores abolicionistas radicalizados. Assentavam a pedra mestra na construção do esquecimento do nosso mais importante acontecimento histórico: a revolução abolicionista de 1887-8. O movimento negro esquecia que celebrar a abolição não significa reafirmar os mitos da emancipação social do povo negro em 1888 e de Isabel como redentora. Ignora que comemorar o fim da escravidão significa recuperar a importância daquela superação. A revolução abolicionista foi o primeiro grande movimento de massas moderno, promovido pelos trabalhadores escravizados em aliança com libertos, trabalhadores livres, segmentos médios etc. Até agora, foi a única revolução social vitoriosa do Brasil. Se a situação que vivemos não nos agrada, a responsabilidade não cabe aos nossos ancestrais, que fizeram a sua revolução. Cabe simplesmente a nós, que não fizemos as nossas. (*) É historiador e escritor.

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