Opinião
Nossa l�ngua portuguesa
| JOSÉ MEDEIROS * Em duas ocasiões em que fui a São Paulo, coloquei, em minhas prioridades, visitas ao Museu da Língua Portuguesa. Considerei a primeira insuficiente para ver tanta coisa. Nessa ocasião, concentrei-me no curta-metragem que descreve a história, o poder e a importância das línguas para a humanidade, a galeria de trechos de autores famosos (inscritos em tijolos) e a história da língua portuguesa. Sem que a percebesse, a tarde se esvaiu num crepúsculo cinzento de outono e fui avisado de que o horário chegara ao fim. Quando a gente se entretém o tempo corre célere. No meu entendimento, o objetivo dos idealizadores do museu foi conseguido: o de criar um espaço de divulgação da cultura e da língua portuguesa. Lembrei, já de volta, do poema musicado ?Língua? de Caetano Veloso, que diz: ?Minha pátria é minha língua?. Meses depois, voltei ao museu. Dessa vez, incorporei-me a um grupo de professores visitantes, que era acompanhado por um especialista da Instituição, com informações que, se eu estivesse sozinho, seria impossível obtê-las. Na ?Praça da Língua?, li trechos de grandes clássicos da prosa e poesia, acompanhados de som e imagem. Considerei uma extraordinária aula de literatura brasileira: de Guimarães Rosa a Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis a Vinícius de Morais, Mário de Andrade a Cecília Meirelles. Ficou sempre entendido, nos esclarecimentos, que o Museu tem como objetivo incentivar o hábito da leitura, formação de novos leitores e divulgação da produção cultural nas diversas fases da evolução literária brasileira. Num pequeno espaço está escrito: ?O poeta Castro Alves foi o precursor do incentivo à leitura, com o poema 'O livro e a América', de sua obra poética Espumas Flutuantes?. É cada vez maior o número de livros publicados no País, que em nada corresponde a um razoável número de novos leitores ou de obras lidas. No Nordeste, o fenômeno se repete, com um detalhe a mais: as tiragens são reduzidas e existe o bloqueio das grandes editoras do Sul para que os livros publicados na região não alcancem o mercado nacional. Em Maceió, uma livraria que participa de organização nacional raramente oferece oportunidade para que obras de autores locais sejam exibidas em suas vitrinas. O Museu mostra a universalidade da língua portuguesa, falada em oito países, nos quatro continentes, somando cerca de 200 milhões de usuários. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.