Opinião
Moradia - Editorial
Os movimentos por moradia popular têm reivindicado que parte dos recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) seja administrada pelas associações e cooperativas que defendem seus interesses. E antes do ano de 2007 terminar, seus representantes se reuniram em Brasília, foram recebidos por vários ministros e tiveram a garantia de acesso ao dinheiro. E já em 2006, o presidente Lula defendia a cessão de terrenos e imóveis da União para projetos populares. Principalmente para pessoas pobres que vivem nos grandes centros das regiões metropolitanas. Em meio a essas e outras causas de preocupações nessa área, há menos de um ano, o País teve conhecimento de um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontava a existência de um patrimônio de mais de R$ 2,6 bilhões que está completamente sem uso. E essa soma seria equivalente ao valor de 571 imóveis da União que estão vagos, o que segundo os auditores contraria o princípio da eficiência, uma vez que a administração dessas propriedades gera custos para os cofres públicos. Dentre os imóveis, 68% são terrenos e 27% edificações. Quando estes números foram divulgados, ainda não havia motivo para queixas, lamentações e denúncias referentes a uma considerável quantidade de unidades em conjuntos construídos pelo Programa de Arrendamento Residencial (PAR) da Caixa Econômica Federal em Maceió, e que continuam desocupados e abandonados, situação que voltamos a denunciar na edição de ontem. Enquanto isto, continuamos com razões para registrarmos fatos semelhantes ou piores no País que precisam de políticas sérias voltadas para a área de infra-estrutura, para o atendimento das necessidades reais de milhares de brasileiros que não terão moradias próprias se dependerem das suas condições financeiras.