loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 01/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Escombros da ordem

Ouvir
Compartilhar

A. SÉRGIO BARROSO * ?Maceió registra 11 homicídios no fim de semana? (Gazeta de Alagoas, 18/06/2002, 1ª página) Durante mais ou menos 10 anos (1991-2001), exerci atividade sindical e política, pra cima e pra baixo, entre São Paulo e Maceió, principalmente. Nos últimos tempos, respondia às freqüentes interpelações exibindo (ingênuo) otimismo e temor: Não, em Alagoas ainda não fomos tragados pela psicopatia da violência ?social?.... Claro, sempre lembrava a outra, a da pistolagem degenerada. Também a desigualdade social brutal. Pesquisando informações oficiais em nossos jornais, o economista Cleonilson Alves encontrou mais de 300 assassinatos, nos últimos seis meses deste ano ? números evidentemente sub-registrados. A decomposição acelerada chegou e começamos a nos aproximar dos 22 ou 25 chacinados por fim de semana na Grande São Paulo. Fenômeno que não pode estar dissociado da tragédia que vai se tornando estrutural na sociedade brasileira. Não só isso: vai fincando raízes em toda a América Latina. Exagero? A taxa de homicídios na América Latina cresceu em quase 100%, na década de 90, em relação àquela dos anos 70 e 80, informou recentemente o insuspeito BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). De acordo com o BID, isto ocorreu como ?uma conseqüência direta da piora socioeconômica, do aumento da pobreza e da concentração de renda?. Outro insuspeito, Gilberto Dupas (USP), diz ter o modelo neoliberal ?fracassado? no Continente. Analisa existir excessiva dependência do capital externo, aumento das desigualdades sociais, entre outros, revelando o que denomina de ?problemas sistêmicos bastante claros?. Dantesco, o colapso argentino passou a ser, em vão, recorrentemente excomungado como uma maldição que pode se espraiar. Pudera: em maio, ali acontecia um roubo a cada 45 segundos, e quatro assassinatos por dia; em Buenos Aires a taxa de delinqüência foi multiplicada por várias vezes, entre 1991-2000, atingindo maciçamente jovens de menos de 25 anos e particularmente os de 19 anos. Somente em Buenos Aires ? afirma o sociólogo argentino Fabián Amico -, nos dois últimos anos, ?as sentenças condenatórias subiram de 3.408 para 8.271?. Na verdade, em todos os países da região, mais ou menos ocorreu acentuada desnacionalização da economia; expansão do desemprego, do subemprego e pequena expansão das expor-tações e grande expansão das importações, com déficit comercial significativo; dolarização progressiva, aberta ou disfarçada, da economia; lento crescimento econômico, estagnação ou recessão; desmonte de estruturas do Estado; proliferação do narcotráfico, crime organizado e tráfico de armas. Este ano, a economia latino-americana pode ter crescimento nulo ou negativo segundo um informe (18/6/2002) divulgado pela Cepal/ONU, que previu um PIB (Produto Interno Bruto) abaixo de 0,5%. É angustiante imaginar o que nos espera. (*) É MÉDICO

Relacionadas