Opinião
Metas amea�adas - Editorial
O relatório de Monitoramento de Educação para Todos Brasil 2008, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), alerta que o País não está ?nem de perto? das seis metas estabelecidas, neste sentido, durante a Conferência Mundial de Educação em Dacar, há oito anos, e que devem ser atingidas até 2015. Um dos principais desafios brasileiros é reduzir em 50%, nestes poucos anos, a taxa de analfabetismo que tinha em 2000, e que deverá ser de cerca de 6,7%. Consta que o estudo foi elaborado com base em dados da realidade brasileira entre os anos de 1990 a 2005. ?Essas perspectivas não refletem as políticas atuais, então, o que está sendo feito hoje no campo da educação pode reverter esse quadro com grande probabilidade?, segundo declaração de sua consultora, Angela Rabelo Barreto, publicada pela Agência Brasil. O próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, admite a existência de ?toda uma avenida a percorrer. Mas sem deixar de dizer que ?era uma avenida esburacada, hoje é uma avenida pavimentada, que vai permitir acelerar o passo e superar deficiências?. Enquanto isto, Estados como o nosso, ainda detentores dos mais vergonhosos números das estatísticas referentes à oferta e a qualidade dos serviços no setor do ensino sob a responsabilidade do governo Estado e de administrações municipais, seguem sem os investimentos e outras formas de atenção cada vez mais necessárias para as gerações atuais e futuras. A reportagem que publicamos domingo, mostrando unidades educacionais construídas com recursos públicos e abandonadas em Marechal Deodoro, vizinha da Capital, bem como espalhadas em outras partes do Estado, é mais uma comprovação que continuamos entre as maiores vítimas de gestores públicos insensíveis e irresponsáveis. Daí as dificuldades para atingirmos estas e outras metas.