Opinião
O terceiro sexo e a homofobia
| WAGNER WILLIAMS * Dentre os muitos desafios para o novo secretário de defesa social, Paulo Rubim, existe um pouco propagado pelo jornalismo e quase nunca debatido pelos cidadãos. Trata-se da homofobia, um repúdio agressivo contra pessoas homossexuais. Força frisar de antemão que, em complemento ao exclamado Nordeste adentro, a homofobia não aparenta ser constituída apenas de preconceito; na verdade ela está mais para manifestação de um aglomerado de fatores do que de um fator isolado. O primeiro deles é o aumento da onda de violência mais a impunidade. Em 10 anos, o número de homicídios no Brasil passou de 38.888 para 46.660, um aumento de 20%, superando o crescimento da população, que é de 16,3%. Atrelada ao preconceito (do homem e da mulher) essa onda vitimou, sob ação homofóbica, 122 homossexuais no geral em 2007, sendo 39 em Alagoas. Todos são, por ora, casos impunes. Outro fator é a não precaução duma parte de pederastas e de lésbicas nos relacionamentos afetivos. Como grupo de minoria inserido na massa, ela deveria ser mais seletiva em relação aos parceiros, perscrutando a vida e a conduta de cada um ? o que deveria ser instruído por parte dos grupos organizados afins. Ademais, a postura reivindicante obsta. Longe do modelo político e próximo ao da pirotecnia, a voz manifestante homossexual tartamudeia, só servindo para inspirar e nutrir a imagem ?gay? difundida pelo humor midiático, a da promiscuidade, estereotipando e humilhando o grupo. É sobre essa base que se assenta a exposição do terceiro sexo à hediondez da homofobia. Contudo, um sentimento étnico-regional a se instaurar nos homens de Justiça ao civil comum pode ser um artifício para driblar e superar tais mazelas. Com ele qualquer alagoano se verá etnicamente comprometido a denunciar e depor contra a ação homofóbica, uma vez que a denúncia não será mais algo fortuito, mas participação popular de prontidão que, eventualmente pela prática, influenciará um elenco de políticas instrutivas para o povo e punições mais rigorosas para os detratores, pois são alagoanos que estão sendo tripudiados, exterminados em sua própria região, dando acréscimos às más impressões daqui que no País chegam. Enquanto o étnico-regional não atuar no Estado em favor dos homossexuais a homofobia atuará em lugar dele, pois como se vê, não é apenas por preconceito que ela ocorre, mas dum agregado maledicente de fatores sociais. (*) É estudante de Letras da Ufal.