Opinião
Agente cultural 2
| MARCIAL LIMA * No artigo anterior (15.05.08), dizíamos que, na implantação do projeto ?A Escola como Pólo Cultural da Comunidade?, sugerindo a participação de agentes culturais, cuidamos para não confundirmos essa categoria com professores de educação artística, animadores, oficineiros ou diretores de teatro, conscientes que de que equívocos conceituais poderiam influir, decisivamente, na efetividade daquela iniciativa. Se propúnhamos o desencadeamento de um processo de ação cultural, precisávamos entender que objetivos queríamos alcançar. Tendo como ponto de partida a proposta de mestrado da socióloga gaúcha Ada Beatriz Kroef ? hoje doutora em Educação, recentemente convidada pelo Ceará, para, num projeto de três anos, realizar um trabalho de capacitação de professores da rede estadual de ensino ? concluímos, de princípio, que nosso processo de ação cultural objetivava colocar pessoas e grupos em condições de exprimir-se nos diversos espaços da vida comunitária, compreendendo, dominando os procedimentos das expressões culturais, passando a expressar-se de modo autônomo nos mais diferentes domínios da vida social. Era o que afirmava Teixeira Coelho: levar pessoas a participar de seu universo cultural como um todo, aproximando-as umas das outras por meio de objetivos comuns. Nesse processo, os agentes culturais, mostravam as pesquisas, seriam pessoas capazes de fomentar relações, utilizando os meios estéticos ? teatro, pintura, música, dança, literatura ? como elementos de comunicação; com seu papel, no entanto, indo além das atividades artísticas. O agente cultural seria um dinamizador das potencialidades culturais da escola e de seu bairro, incentivando, socializando, mobilizando experiências locais. Deveria propiciar condições para que os educandos criassem seus próprios fins culturais, estimulando-os à auto-expressão. Tendo em conta que cada escola, cada comunidade tinha sua história, suas identidades, sua memória, sua cultura, não partíamos de um pacote pronto, fechado, concebido a partir da ideologia da competência. Tínhamos, sim, pressupostos básicos, eixos, princípios que balizavam nossas ações. Pensávamos em duas vertentes complementares em si: a difusão da cultura e a transversalidade de saberes. Atuávamos atentos aos princípios da territorialidade, da subjetividade, do pertencimento. Muitos frutos foram colhidos. Isso veremos nos próximos capítulos. (*) É professor e presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural ? FMAC.