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De terremotos e trag�dias

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| MARCOS DAVI MELO * Na reunião do Conselho de Desenvolvimento Social e Econômico (Conedes), a dra. Solange Jurema apresentou as ações sociais efetuadas no Estado pelo governo federal; entre Bolsa Família, Segurança Alimentar e outros, são mais de 800 milhões anualmente. Colocou-se, inclusive, que estes recursos são superiores ao que se arrecada com a indústria sucroalcoleira. Observou-se também que os últimos investimentos em grandes supermercados em nosso Estado vieram à procura destes recursos. O secretário dr. Luiz Otávio, colocou que estes programas sociais e esta dinheirama federal, têm data certa para acabar; ao tempo em que informava que no máximo até 2014, a colheita de cana-de-açúcar será totalmente mecanizada, o que trará imenso desemprego para o setor. Reconheceu que o corte da cana é um dos piores trabalhos do mundo, mas, argumentou que não tê-lo pode ser ainda pior. Pediu a reflexão dos presentes sobre estas questões. São terremotos anunciados. Uma tragédia que já assola a população há tempos e ameaça se agravar ainda mais é a questão da saúde pública. Não agüentando mais a remuneração aviltada e vergonhosa, os cirurgiões pretendem não realizar mais cirurgias para o SUS a partir de julho. É uma situação dramática ? pois já existem muitos pacientes com enfermidades graves, como câncer e cardiopatias, que estão em longas filas esperando cirurgias e morrendo a mingua ? que pode piorar muito. Ressalta-se que a maioria dos procedimentos médicos pelo SUS tem pagamentos miseráveis e há mais de dez anos não são reajustados, enquanto a inflação no setor aumentou mais do que o dobro da geral. O ministro Temporão sabe que o que SUS paga a hospitais e médicos é inviável para continuar realizando os atendimentos, e, tirando o corpo fora, repassou para os estados e municípios este responsabilidade. Estados ricos, como São Paulo, ajudam as entidades filantrópicas com subsídios regulares. Alagoas poderá fazer isto? Agora acenam não só com a recriação de nova CPMF específica para a saúde, como taxar os seguros dos automóveis, os cigarros e o álcool e destinar uma parte para o setor. Lula aumenta a arrecadação de tributos mensalmente, não economiza em outras questões e não provê a saúde com os recursos minimamente necessários. É insensível nesta questão. O corte de cana pode ser a pior profissão do mundo, mas estar doente e não ter um atendimento médico minimamente digno é uma das piores situações que um ser humano pode enfrentar na vida. Tem que haver uma saída para esta tragédia. (*) É médico e professor da Uncisal.

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