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SUS: inacabado e em ru�nas

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| RONALD MENDONÇA * No princípio era o caos. Pajelanças e medicina caseira tinham seus seguidores. Quem tinha dinheiro conseguia tratamento médico-hospitalar. Os outros, a maioria, apelavam para a caridade pública, quadra onde sobressaíam-se as Santas Casas de Misericórdia, dentre outras. Em torno dos anos 40-60 do século passado, já existiam os ?iapas?, que contemplavam as diferentes corporações de trabalhadores regulamentados (IAPI, industriários; IAPC dos comerciários etc.). Os ?não-fichados?, assim como o pessoal do campo, continuavam a depender dos precários ambulatórios oferecidos pelos governos estaduais, dos serviços universitários e das instituições filantrópicas. O unificador Inamps, nos anos 70, como substituto dos iapas, garantiria certa universalidade do atendimento. Como era de se esperar, a qualidade do atendimento começaria a deteriorar. Mesmo assim, ainda se brigava pela ?posse? do doente. A propósito, na condição de estudante, lembro do mal-estar numa sala de cirurgia porque o anestesista não se dispôs a melhorar o direcionamento do foco de luz. Resmungando entre dentes, o cirurgião insinuaria que se o doente fosse do Inamps, certamente a colaboração do colega seria diferente. Não obstante o clima de prenúncio de decadência, a saúde ainda respirava otimismo naqueles passados anos 80. A filantropia viraria papo de saudosista. De repente, coincidindo com o declínio moral e econômico do regime militar, as políticas médicas passaram à condição de moeda de troca. Com efeito, as ?esquerdas?, através de ungidos e bem-intencionados sindicalistas, detonariam processo de desmoralização da medicina assistencial, sucateando criminosamente os grandes hospitais do Brasil e ferindo de morte os demais. Em Alagoas, a coisa foi tão grave que apenas nos anos 90, graças à sensibilidade do presidente Fernando Collor, é que o mal-assombrado esqueleto do Hospital Universitário ganharia carnes e pele. Os novos ventos trouxeram o SUS. Demagógico e romântico no papel, logo ficou evidente que o famigerado baseava suas ações na exploração do trabalho médico. O tempo comprovaria as antecipadas desconfianças. Para confirmar o desmantelo, em recente trabalho, a Santa Casa de Maceió mostrou que de cada cem reais investidos nos doentes, o SUS desembolsa apenas 33. Frutos da mesma árvore, estão aí as Unidade de Emergência de Maceió e a do Agreste em incuráveis crises. O pior de tudo é a indiferença oficial. (*) É médico e professor da Ufal.

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