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Novamente, esperan�a e temor

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| JORGE BRISENO * Foi o artigo ser publicado, caro leitor, alguns dias atrás, neste mesmo espaço, e uma torrente de amigos e parentes me liga. Os lulistas menos ardorosos ? sim, porque com os índices de popularidade do Lula, acredito, firmemente, que a população brasileira está agora dividida apenas entre os lulistas mais ardorosos e os menos ardorosos ? pilheriavam, com uma pitada de ironia: ?Ora, ora, agora você deu pra duvidar do PAC?. Outros ralhavam: ?Não te falei que isso era um engodo, conversa pra inglês ver??. Tento argumentar que não perdi ? pelo menos de todo ? as esperanças. Que, do meu texto anterior (Esperança e temor), não se pode extrair desânimo e justifico que ainda é cedo para uma avaliação profunda. Já os lulistas mais ardorosos berravam: ?Seu incrédulo, você não passa de um descrente, um niilista?. Outros replicavam: ?Você vai ver, será o maior programa de obras já visto no País?. O amigo leitor, sensível que é, não deixará de concordar sobre como a humanidade e a própria vida são repletas de ambigüidades. Ah, pobres de nós, vivemos entre uma linha tênue, sempre na fronteira entre o amar e o medo de sofrer; entre a serenidade e o mais atroz desespero; entre o mais extasiante regozijo e a mais abissal amargura; contemplamos o fausto e a sórdida privação; transitamos entre o egoísmo e a mais desprendida solidariedade; enfim, poderíamos aqui, eu e você, gentil leitor, preenchermos todo este jornal com estas ambigüidades com que nos defrontamos na vida. Porém, deixemos estas divagações filosóficas de lado, pois o espaço aqui disponível é escasso. Como dizia, estou envolvido por uma dualidade em relação ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Entre a esperança e o temor. Esperança de que os prometidos recursos, até o ano de 2010, sejam de fato desembolsados. E temor de que seja apenas mais um programa de vida efêmera, fugaz. E o temor procede. Vejamos: a coluna do Cláudio Humberto informa que ?na Bahia, para as obras do PAC, o governo não possui projetos suficientes e ainda não realizou nenhuma licitação?. Para os anos 2007 e 2008, estavam previstos, caríssimo leitor, em todo o Brasil, investimentos de R$ 34 bilhões e, até o momento, apenas R$ 4,9 bilhões foram liberados. O atento leitor argumentará que não deixa de ser preocupante essa inação. Também concordo, e lembro que a Dilma foi considerada a mãe do PAC pelo presidente Lula. Se ela almeja ser presidente do Brasil, seria razoável velar mais pelo seu rebento. (*) É diretor de Operação da Casal.

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