loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 30/07/2026 | Ano | Nº 6278
Maceió, AL
26° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

.

Pra sempre jovem? .

.

Ouvir
Compartilhar

Neste Dia dos Avós (26/07), vale destacar que envelhecer se tornou um pecado, o pavor de toda uma geração. Mas quando foi que esse medo ficou tão fora de controle?

Arrisco dizer que importamos da cultura estadunidense, com seus “time is money” e “forever young” tão presentes no mercado financeiro e audiovisual, onde envelhecer sempre foi sinônimo de se deixar ultrapassar e perder relevância profissional e social. Biden que o diga, sem rugas e sem senso, ladeado por Trump, com sua pele laranja e topete laqueado.

Admirar o idoso, porém, é algo que a Europa mantém em sua independência cultural: as rugas nos sorrisos são bem-vindas, os cabelos brancos fervilham nas praças de Paris, nos parques da Alemanha, nas cátedras inglesas e boulevares espanhóis.

Aparentar idade era, aliás, moda na Europa do século XVIII. Conhecemos Maria Antonieta, morta aos 37 anos, apenas de perucas grisalhas: as cãs da sabedoria, do respeito, da perenidade.

Shorts Youtube
Play
Republicanos marca convenção estadual para definir candidatos e alianças em AL

Republicanos marca convenção estadual para definir candidatos e alianças em AL

Play
Alfredo ataca ideia do “rouba, mas faz” e cobra mudança na política em Alagoas

Alfredo ataca ideia do “rouba, mas faz” e cobra mudança na política em Alagoas

Play
Arthur Lira diz que terminará a eleição em primeiro lugar na disputa ao Senado

Arthur Lira diz que terminará a eleição em primeiro lugar na disputa ao Senado

Play
Lira admite lançar candidato alternativo se aliança com JHC não sair até convenção

Lira admite lançar candidato alternativo se aliança com JHC não sair até convenção

Play
Renan revê documentário e destaca impactos das decisões na pandemia

Renan revê documentário e destaca impactos das decisões na pandemia

Hoje, porém, exigimos do idoso a disposição física e “savoir faire” típicos da juventude. O discurso de “deixar a natureza seguir seu curso”, tão válido em diversos assuntos, não vale quando nos referimos ao próprio corpo. Pouco importa que seus hormônios partiram, junto de seu colágeno e seus cabelos.

Aparentar a própria idade se tornou sinal de descuido ou depressão. É como se hoje, no tarot da vida, tivéssemos eliminado a carta do Ermitão - a figura do idoso ou idosa que nos orienta nas dores existenciais. Não! Os idosos têm de parecer jovens, se encaixar, se atualizar e acompanhar a vida no mesmo passo, na mesma toada da manada. Eternamente, para sempre e sempre.

A saudosa Rita Lee já ensinava: queria envelhecer e tornar-se uma feiticeira. Ela sabia da importância dos caminhos da velhice. A perda do desejo de protagonizar e competir, tão visceral e hormonal, nos permite entender o que é o amor incondicional. Sair da arena, do ringue, dos holofotes, do centro das atenções, não é sinal de fracasso existencial, muito pelo contrário.

O processo de envelhecimento é terapêutico ao ego - somos obrigados a nos despir, pouco a pouco, dos conceitos vaidosos que criamos sobre nós mesmos.

Ainda que mantenhamos a saúde física e a disposição, é apenas com a desindentificação da própria juventude que nos permitimos outros tipos de conexões afetivas, sobretudo com as novas gerações.

Fortalecem-se as relações avós-netos, mentor-pupilo, professor-aluno, em conexões intergeracionais de aprendizado que não são mais atrapalhadas pelo ruído da rivalidade ou do desejo sexual.

Viva o idoso e a natureza dos caminhos. Natureza, aliás, sempre sábia; e sábia, porque antiga.

Relacionadas