Opinião
Certeza versus incerteza
| EVILÁSIO SORIANO * Faz parte do atual momento histórico o embate entre a certeza ou não das decisões tomadas ou assumidas sobre qualquer assunto. Para uns, é melhor não assumir nenhum risco inerente ao processo decisório e simplesmente não decidir ou nada fazer. Nesse caso, a única certeza que esse grupo tem é a de não cometer nenhum erro. Essas pessoas se vangloriam desse fato, porém nunca fizeram nada na vida. Para outros, que assumem riscos e decidem, erros poderão ser cometidos, porém não se acovardam e buscam realizar e enfrentar suas missões na busca do objetivo final a que se propuseram. No primeiro caso, poderemos classificar os chamados pessimistas que, muitas vezes, se auto rotulam de realistas, encontrando dificuldade em tudo que se propõe, negando-se a se engajar, enfrentar ou a realizar aquela obra, tarefa, missão ou objetivo. Esses são os eternos derrotados ou perdedores por antecipação. No segundo caso, o enfrentamento, a coragem de assumir riscos, a disposição e a capacidade de realização aliados ao conhecimento daquilo que se propõe fazer, caracteriza os chamados empreendedores, pioneiros, estadistas, otimistas, enfim, os vitoriosos. É claro que, muitas vezes ao longo da realização de suas tarefas ou coroamento de seus objetivos, derrotas poderão acontecer, metas poderão ser postergadas e novas vias traçadas, entretanto, o propósito e a terminalidade da missão permanecem como foco de realização. Talvez não consigam atingir a plenitude de suas realizações, mas nunca serão considerados como perdedores. As derrotas e vicissitudes fazem parte da vida daqueles que tentam realizar alguma coisa. No mundo, tudo é incerto. A única certeza absoluta é a morte e, para aqueles que têm o espírito da religiosidade, Deus. Assim sendo, qual deve ser nossa atitude em relação à vida e às pelejas decorrentes da arte de viver? Sermos os mais precisos possíveis naquilo que pretendemos fazer ou realizar. Esqueçamos a exatidão. É como a perfeição ? não existe. Tudo na vida é mais ou menos preciso. A preocupação com a exatidão (certeza) tem levado muitos de nós a uma atitude pessimista e não realizadora das tarefas e problemas que a vida nos apresenta. Tudo é difícil, nada é fácil. Precisamos assumir uma atitude otimista e persistente, acreditar na nossa capacidade realizadora, buscar o novo e saber o que não queremos. (*) É economista e professor da Ufal.