Opinião
Raio de luz e da vida - Editorial
Ilumina-se a perspectiva das Ciências da Saúde no Brasil, graças à decisão do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a constitucionalidade do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas. A partir desta histórica decisão, depois de equacionados os desafios do saber científico em decorrência da liberdade e legalidade das pesquisas (em andamento) a vida contida nos frios tubos de ensaio torna-se-á vida, proporcionando saúde aos enfermos, e não mais será atirada à morte inglória, jogada nas latas de lixo no interior dos tubos de ensaio descartados pela falta de uso e pelo decorrer do tempo. Brilhantes, os iluminados votos conferidos pelo Supremo Tribunal Federal vencem o obscurantismo e a manipulação de (fortes) preconceitos apresentados como dogmas religiosos. É provável que muitos dos cadeirantes e enfermos destacados nesta longa batalha não venham a se beneficiar diretamente pelos resultados práticos da decisão de ontem. Afinal, as pesquisas levam tempo, e, infelizmente, sofreram este ignominioso atraso provocado pela miopia legalista de uns poucos, mas estão de parabéns todas essas pessoas que, de suas cadeiras de rodas, de seus leitos de hospitais, de suas muletas, não se furtaram a ? corajosamente ? defender com todas as forças esta posição em defesa da ciência e da vida. Em sua milagrosa condição de poder se reproduzir em quaisquer órgãos do corpo humano, as células-tronco embrionárias têm condições de regenerar a saúde de milhares. Para tal, um longo caminho ainda resta ser trilhado, mas, com a decisão do STF, este caminhar não só segue adiante, como será feito com mais rapidez, maior diligência e plena segurança. Cientistas, mãos à obra, as vidas de milhares de pessoas agora dependem da sapiência de vocês em decifrar os códigos do ser humano no que, até ontem, simplesmente seria atirado ao lixo.