Opinião
Penumbra sob o sol - Editorial
Andará solto o diabo no paraíso tropical alagoano? É certo, infelizmente, que nesses recantos de rara beleza, como em todos os lugares privilegiados do mundo, o crime organizado lança seus tentáculos em busca dos recursos potencialmente ali circulantes. Deve ser olhada com especial atenção a teia de negócios em construção graças ao afluxo de estrangeiros no litoral alagoano. O assassinato do jovem italiano não é o primeiro crime vitimando europeus em nossa orla. Dificilmente esses crimes terão uma ligação explícita, mas não será difícil encontrar-se fios condutores entre os sinistros. Tráfico de drogas, contrabando, lavagem de dinheiro e comércio sexual são veredas recorrentes no trânsito paralelo ao fluxo turístico convencional, legal e altamente desejável. Enquanto, na via legal, a alegria, a cultura, o esporte, a natureza são os condicionantes da atividade turística, na contramão correm mazelas conhecidas e temidas desde os tempos antigos. Não se pode alegar surpresa neste campo, basta se prestar atenção ao noticiário sobre o tema (e assim é no primeiro ou terceiro mundo). Necessário é, portanto, redobrar os cuidados e disponibilizar condições para que a polícia possa fazer o seu papel ? muito mais complexo e profundo que as atividades corriqueiras típicas das delegacias para turistas. É provável que, agindo agora com firmeza e especialização necessárias, o problema possa ser combatido com mais sucesso que alhures (como nas grandes cidades da Europa, por exemplo, onde as máfias sofisticaram-se no tráfico de drogas e prostituição, dentre outras chagas abertas). Alagoas segue tendo brilhantes perspectivas no segmento turístico (nacional e internacional), mas é necessário ter-se consciência que a sombra é o contraponto natural da luz.Temos que estar preparados para o bom e o ruim do sucesso do nosso paraíso tropical.