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Opinião

Afinal, a luz da esperan�a

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| MARCOS DAVI MELO * J.V.S. é um adolescente de 12 anos. Ao contrário dos de sua idade, ele tem as limitações de um diabetes que o atormenta desde a infância. Precisa tomar injeções de insulina diariamente, senão a sua glicemia pode descompensar, pode entrar em coma diabético e morrer. Ao contrário da maioria dos amigos da mesma idade, não pode brincar normalmente, nem comer os doces e as guloseimas que tanto os atraem. Apesar da tenra idade ele vive na corda bamba. A.M.D.C. é um outro jovem com 23 anos. Vida promissora que foi drasticamente interrompida por um acidente quando ainda tinha 14 anos. Com um grupo de amigos tomava banho de rio em Barra de São Miguel e calculou mal um mergulho. O rio naquele trajeto era muito raso e bateu violentamente com a cabeça e fraturando a coluna. Desde então, por mais que tenha passado a maioria de seus dias em tratamentos de fisioterapia em Maceió e em outros centros especializados do País, sua vida se limita a uma cadeira de rodas. J.R.S.P. é um homem de 56 anos, trabalhador e pai de família exemplar, todavia, tem uma pesada herança familiar para doenças coronarianas e por mais que se cuidasse, há 2 anos atrás teve um infarto do miocárdio que o deixou com muitas seqüelas. Para se manter vivo e continuar mantendo a família, submete-se a uma vida ignomiosa. L.M.S. e M.A.S. formam um casal que convive bem há mais de 14 anos. Sua vida em comum é gratificante, mas falta-lhes o essencial: os filhos. Já tentaram de tudo, mas não conseguiram que ela engravidasse. Compartilham um problema grave de infertilidade, sem chances de superação. Poderia continuar esta lista infinitamente com pessoas acometidas com mal de Parkinson, mal de Alzheimer, osteoporose; com doenças da retina que os impedem de ver; cuja única peculiaridade é não ter nenhuma perspectiva de solução dentro da medicina a não ser o uso das células-tronco. A aprovação pelo STF do uso destas células sem restrições é um imenso avanço. Impressionante naquela histórica seção o grau de ignorância dos ministros contrários às pesquisas: desconhecem a existência no País dos mais de 700 Comitês de Ética e Pesquisas (CEP) e o rigor com que eles laboram. Arrogantes e insensíveis queriam criar ainda mais dificuldades para os pesquisadores do que as próprias dificuldades que a ciência, em seu lento, mais indispensável avanço, enfrenta. Afinal, a luz da esperança volta a iluminar aos muitos brasileiros que tanto sofrem e precisam pelo menos do sopro da caridade, que neste caso só a ciência pode lhes dar. (*) É médico e professor da Uncisal.

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