Opinião
Disc�pulos e mission�rios: orar � preciso
| DOM ANTONIO MUNIZ * ?Vinde vós, sozinhos, a um lugar deserto e descansai um pouco... E foram de barco para um lugar deserto, afastado? (Mc. 6 31-32) Neste primeiro dia do mês de junho, nossa atenção se volta para a celebração do Ano Paulino. Convocado e anunciado pela Papa Bento XVI, para o dia 28 de junho. Celebraremos em toda a Igreja de Cristo este grande Jubileu, os 2 mil anos de nascimento do Apóstolo Paulo. É no verdadeiro espírito deste Jubileu que, a nossa Igreja Arquidiocesana celebra e vive o Ano Missionário, a criação de várias Paróquias, a provisão e transferência de muitos padres, a Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, a dinamização e a transparência das Obras Socias Arquidiocesanas. Vendo bem, temos desafios e situações bem semelhantes as existentes na época do Apóstolo Paulo. A maneira como ele as enfrentou e viveu podem nos servir de inspiração. A Conferência de Aparecida e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil nos instigam a sermos autênticos discípulos e missionários de Jesus Cristo, através de um verdadeiro encontro pessoal com Cristo vivo e presente no meio de nós. Assistimos a uma crescente onda de descristianização da sociedade moderna, há uma repaginação de nosso mundo ocidental por meio da adoração aos ídolos, do ter, do prazer e do poder. A força destruidora do relativismo, a falta de sentido profundo da vida e a violência em espiral crescente fazem de nosso mundo um lugar de tristeza e de dor nos dias de hoje e nos dias do Apóstolo das gentes na grande crise cultural do seu tempo. A cruel realidade da miséria na qual o nosso povo se arrasta dia-a-dia em uma verdadeira procissão de dor para todo ser humano. Lá como hoje temos vozes verdadeiramente proféticas, que fazem renascer a esperança de que um mundo novo é possível em Jesus Cristo pelo seu Evangelho. Dom Hélder foi capaz de descrever os mecanismos desta realidade tão antiga e sempre nova, tanto em nível macro mundial como em nível local, quando expôs de forma nua e crua a lógica da miséria e propôs reflexões que vão para além do seu tempo e servem para reascender na Igreja e nos cristãos o ímpeto profético necessário para que possamos pronunciar palavras de esperança e denunciar que a miséria é um insulto à vida e uma ofensa ao criador. ?A miséria tende a reduzir a criatura humana ao fatalismo, a um enorme desencorajamento interior, a uma conseqüente falta de iniciativa, a uma ausência de vida humana plenamente vivida?. (*) É arcebispo Metropolitano de Maceió e religioso da Ordem Carmelita.