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Opinião

Milagre revigorante

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| JOSÉ MEDEIROS * A esta altura de minha vida, estou convencido de que somos submetidos diariamente a pequenos milagres, às vezes, despercebidos que têm a missão de nos despertar para uma postura de gratidão diante da vida. Ao tratar disso, recordo-me de um relato que ilustra bem esse tema. A história de um anjo cuja missão era salvar um homem do suicídio. Esse senhor nunca havia conseguido dar uma vida confortável que sempre almejou para seus três filhos, tampouco, para sua esposa. Cada desejo frustrado da família ressoava como punhaladas em seu coração, cada vez mais enfraquecido pela melancolia, pelo pessimismo e desestímulo. Uma idéia tomou conta de sua mente: morrer era a melhor escolha para quem não havia conseguido dar uma vida digna aos seus entes queridos. Suicídio? Mas, atentar contra a própria vida não seria uma ofensa a Deus? Do outro lado, no entanto, o desafio estava posto para o dedicado anjo escolhido para salvá-lo que meditou horas, decidindo, finalmente, sobre o plano celeste que adotaria. Por meio de seus poderes metafísicos, criaria uma nova vida para o pobre homem desesperado. Tudo em seu derredor transformar-se-ia em luxo. Assim dito, assim feito. A velha casa agora era um luxuoso apartamento, com decoração exuberante e carros na garagem. Nada mais seria como antes. Tomando conhecimento do que lhe acontecera, milagrosamente, o homem experimentou o alívio de se libertar da angustiosa situação em que vivia. Ele ficou horas fazendo planos, enquanto se deslumbrava com cada detalhe de sua nova vida. Passado o primeiro momento de contemplação de suas novas posses, correu para os quartos, queria encontrar os filhos e a esposa e, juntos, desfrutarem a nova vida que teriam. Para sua surpresa e desencanto, tudo isso que acabara de ganhar, não incluía sua preciosa família. Sentiu-se frustrado e questionou o presente recebido: que sentido teria tanto conforto sem a presença de seus familiares? A angústia de perdê-los foi tão violenta quanto às dificuldades financeiras pelas quais passara. Caiu em si, fora um louco. Como resposta aos questionamentos, o anjo apareceu e perguntou: você já parou para pensar o que sentiria sua família, caso você cometesse suicídio? O homem, após rápida reflexão, ajoelhou-se, emocionado, pela compreensão que passava a ter naquele momento: ninguém é feliz sozinho, sua família era a essência de sua vida. Readquiriu confiança e otimismo e boas mudanças vieram a seguir.. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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