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Opinião

Uma quest�o de cidadania

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| WAGNER WILLIAMS * A timidez favorece o nosso fajuto quadro sociopolítico, e isso por sua vez atinge a todos, denunciando assim, ser ela não só uma questão pessoal, mas, sobretudo uma questão de cidadania. Também leva a um comodismo na participação política, e isso é manteúdo da politicagem. Destarte, vivemos um regime dito ?democrático?, com cidadania ilegítima de alto número de indivíduos de senso crítico insuficiente, reivindicações sufocadas, com direitos e deveres subestimados por muitos cidadãos. Com a ação popular retraída não existe participação democrática plena. Neste nosso Estado, o que chega a ser não crível é que não é apenas os 50,2% de analfabetos juntos com os 90% de estudantes alagoanos com escolaridade inconclusa os componentes duma massa inibida. Há também ali o silêncio de cidadãos bem instruídos e até o de intelectuais. Por sinal estes, aqui nesta plaga, têm incomodado muito mais com os seus silêncios que com o barulho de suas idéias. A escola tradicional tem muita culpa nisso tudo. Obviamente ela não é a única culpada, mas dela provém grande parte do malefício, porque mostra se esquecer de seu papel como instituição social: formar cidadãos autônomos, críticos, e não somente vestibulandos e futuros profissionais. Com alguns métodos desatualizados de sala de aula, certos educadores restringem a dimensão sociointerativa dos estudantes ? que deveriam exercitá-la debatendo, discordando, cooperando e aprendendo em grupo ? a um estado de múltiplos impessoais que ouvem, respondem e decoram. Ademais, não exploram satisfatoriamente o potencial das modalidades oral e escrita do nosso idioma, principalmente a oral: o discurso, a escuta e a leitura de textos, as encenações artísticas, a conversação ? tanto culta como coloquial ? encalham, fazendo persistir o atual processo marginalizante do aluno, cujo qual tem subtraídas a sua voz crítica e a sua participação do que acontece à sua volta. Pode não parecer, mas tais métodos só contribuem para a formação de uma sociedade individualizada, insegura de si e inibida por seus desfalques identitários, abrigando desse modo em seu seio, o óbice da timidez. Todavia, qualquer cidadão, no fundo, sente que com o mal da timidez nada funciona bem. Todos são suficientemente racionais para perceberem que a inibição se desdobra do psicológico para o social e que podem, ainda que sozinhos, contornar essa dificuldade, tomando para si as qualidades de cidadão que a escola não deu. (*) É estudante de Letras das Ufal.

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