Opinião
Fogos de artif�cio
| LUIZ BARROSO FILHO * Assim como a dança, a música, a culinária, as crendices e as adivinhas, a queima de fogos também faz parte dos rituais das festas juninas no Brasil, que desde o início do século 17 conhece a técnica de fabricação de fogos de artifício, trazida pelos europeus (portugueses, espanhóis e italianos). O costume da utilização de fogos para animar as festas populares, no entanto, remonta à época da chegada da família real, e continua cada vez mais observado, a despeito dos acidentes, haja vista a existência de uma enorme variedade de artefatos de estouro ou não, produzida ainda de forma artesanal, proporcionando um belo espetáculo de som, luz e cores nas noites de Santo Antônio, São João e São Pedro, sobretudo no interior, graças à criatividade dos fogueteiros, sempre expostos aos riscos da sua profissão, que exige o manuseio permanente de substâncias inflamáveis e explosivas. Chamados ?artesãos do efêmero?, os fogueteiros confeccionam fogos que propiciam a alegria da maioria das crianças e adolescentes, usando diversas substâncias (salitre, carvão vegetal, enxofre, bário, nitrato de chumbo, cobre, sódio e limalhas de ferro). Outros materiais utilizados são: taboca, papel comum, papel grosso, papel colorido, breu, cordão, peneira e pilão. Geralmente os fogos recebem nomes jocosos e excêntricos, como por exemplo: beijo-de-moça, estalo-bebé, busca-pé, chuvinha, lágrima, diabinho, mosquito, coqueirinho, chafariz, estrelinha, cabeça-de-negro, leque, espanta-coió, rodinha, traque, pistolão, peido-de-velha, rojão e vulcão, entre outros. De acordo com fogueteiros, essas peças são classificadas em três categorias: fogos-de-chão, fogos-de-subida e fogos-de-vista. Nessa última modalidade, inclui-se também o balão, que é muito usado na região Sudeste, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo, e produz um efeito visual bonito, apesar de perigoso. Por isso, seu lançamento é proibido. Embora o alagoano não tenha o costume de soltar balão, o que evita acidentes, com danos graves à saúde, ao patrimônio e ao meio ambiente, lamentavelmente, muitas pessoas acham que a vida é pirotecnia e andam por aí soltando fogos-de-vista ou fogueteando, enquanto outras são verdadeiras bombas, com grande poder de destruição, e representam um perigo constante para todos nós. (*) É advogado, membro da Comissão Alagoana de Folclore e da Academia Maceioense de Letras.