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Os fenômenos e as cabeças .

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Rodrigues de Melo foi um jovem negro que, graças aos auxílios de pessoas generosas, conseguiu se formar na venerável Faculdade de Direito de Pernambuco no início do século passado. Seu pai era fogueteiro e sua mãe vendia tapiocas nas ruas de Maceió para poder alimentar os 8 filhos. Rodrigues tornou-se intelectual de peso e poliglota e exerceu inúmeros cargos públicos, chegando a ser o primeiro promotor público de Alagoas. Foi um dos fundadores da Academia Alagoana de Letras, em uma época na qual o racismo ainda era mais acintoso.

Ele foi tema de palestra proferida nesta semana pelo virtuoso professor Douglas Apratto na Academia Alagoana de Letras, que celebra 105 anos, graças a pessoas cultas e corajosas como Rodrigues de Melo. Elas enfrentaram adversidades acima da média em suas trajetórias, como aquele jovem negro que aos 17 anos deu o primeiro título de Campeão do Mundo de futebol ao Brasil, em 1958, na Suécia.

Em 1958, o Brasil foi pioneiro ao levar em sua delegação para Estocolmo o psicólogo João Carvalhaes, providência que a Europa só conseguiria implantar em 1980. Carvalhaes, entretanto, ao avaliar o jovem negro de 17 anos, considerou-o imaturo e incapaz de assumir tamanhas responsabilidades - tratava-se de Pelé. Semelhante vaticínio Carvalhaes emitiu para Garrincha. Feola, todavia, apostou nos dois. O resto é história.

As Olimpíadas de Paris apresentaram para o mundo uma plêiade de atletas que depois de anos de intensos preparativos enfrentaram desafios e disputas duríssimas. Uma minoria foi vitoriosa; a maioria foi vencida, mas não foi derrotada. Entre os atletas brasileiros muitos são de pele negra, origem humilde e só estão em Paris porque foram contemplados por projetos sociais que esculpiram seus talentos e os afastaram das más tentações e variadas ameaças sobrepostas à juventude pobre e desassistida.

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Rebeca Andrade a nossa maior medalhista olímpica de todos os tempos, é o exemplo máximo de sucesso desses binômios talentos pessoais somados aos projetos sociais. Rebeca, como Rodrigues Alves e Pel, são fenômenos. Rebeca e a Simone Biles foram humildes e deram atenção à saúde mental. Biles deixou de competir em Tóquio por se achar mentalmente despreparada. Preparou-se melhor e voltou por cima em Paris.

Carvalhaes estava equivocado em 1958, mas a psicologia tem muito mais chances de ajudar a saúde mental do que prejudicá-la. O primeiro adversário que o ser humano precisa enfrentar e equilibrar é a sua cabeça, e nessas Olimpíadas, assistimos muito mais desequilibrados fora das arenas esportivas do que dentro delas.

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