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Opinião

Mulheres em Carlito

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| RONALD MENDONÇA * O conhecido escritor Carlito Lima está em vias de publicar Retratos da Vida, coletânea de crônicas publicadas na Gazeta de Alagoas. Por condescendência do autor, tive acesso aos originais. Sem a pretensão de análises acadêmicas, apenas à guisa de aperitivo, selecionei algumas figuras femininas, reais ou imaginárias, que habitam no plural universo carlitiano. No Recife dos anos 60, numa festa de bacanas, sob as baionetas do regime militar, um liberal jovem cadete brilhava recitando Delírio, célebres versos eróticos de Bilac. O conteúdo do poema e o desempenho do desenrolado militar aguçariam as fantasias de uma misteriosa ?Dama de preto?, nascendo ali tórrido caso de amor. O romance seria interrompido quando o esposo da fogosa dama apresentou irrecusável ultimatum ao valente representante das armas nacionais. Uma gostosa paroquiana do irreverente padre Amaro resolveu frequentar outras freguesias. Certo dia, em busca de remissão, contrita, após um ano de ausência, voltou ao antigo confessionário. No rol dos escorregos, a realização de antiga fantasia: o terrível pecado de ter transado com o padre de outra paróquia. Graças à compreensão de Amaro, ganharia o perdão. O religioso, no entanto, fez questão de deixar bem claro que a paróquia da gostosa pecadora era aquela. O ficcionista Carlito Lima descreve a calça-justa do velho e sisudo professor de medicina que ficaria encabulado com o assédio explícito da aplicada aluna Rosa Palmeron. É que a jovem, não obstante decisão de permanecer virgem até o casamento, adora fazer sexo anal. Nesse aspecto, segundo ela, ninguém como um experiente professor de anatomia para dividir emoções. Lininha e Américo não tinham segredos entre si. Conhecedora das virtuosas habilidades de Américo, a recatada Lininha surpreenderia o amigo ao convocá-lo para uma noitada de orgia, ?única e inesquecível?, uma vez que estava com o casamento marcado e o futuro marido parecia não ser tão bom... Para encerrar essa resumida lista, Carlito nos brinda com Raquel. Casada com Arnaldo há 40 anos, finge ignorar que o sexagenário é um incorrigível paquerador, às vezes até inconveniente. Ultimamente, descobriu que Arnaldo fora abandonado por uma namorada. Ultrajada, deu um telefonema para a moça. ?Quem ela pensava que era? Como podia recusar um cara como o Arnaldo? Um coroa bonito, charmoso, inteligente... Ouça perua, você jamais vai encontrar um cara como o Arnaldo?... Grande Raquel. (*) É médico e professor da Ufal.

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