Opinião
Nossa vida e a mente
MILTON HÊNIO * Normalmente esquecemos que nosso corpo é uma máquina perfeitíssima e que possui, como toda máquina, a capacidade de emperrar quando sai de seus limites ou é mal lubrificada. Foi o que aconteceu comigo na última semana. Esquecendo que tinha 65 anos, trabalhei exaustivamente no consultório, fazendo palestras em colégios, atendendo casos de emergência e compromissos sociais. E cansei. Senti-me mal no consultório. Procurei o serviço de cardiologia da Santa Casa onde fui muito bem atendido pelos competentes cardiologistas José Márcio e Nolasco. Nada mais do que apenas um pique de pressão por fadiga, por estresse. Fiquei contente em saber que nada tenho de anormal. Espero ajudar ainda a muita gente. Aprendi nessa parada obrigatória e passageira que mesmo fazendo as coisas que nos dá prazer, o organismo baqueia quando os limites são ultrapassados. Imaginem um indivíduo acima dos 50 anos, com estresses contínuos, provocados pelos estímulos negativos os mais diversos! O cérebro governa o reino das maravilhas que é o corpo humano. O peso médio de um cérebro é de aproximadamente 1300 Kg, equivalendo a cerca de 2% do peso total do corpo. Consome 20% do seu oxigênio. O cérebro faz a maior parte de seu trabalho através dos neurônios ? agentes notáveis de comunicação, tão minúsculos que não podem ser pesados ou medidos. Estima-se que temos bilhões deles, bem distribuídos, executando missões importantíssimas. Entretanto, essa missão dos neurônios de transmissores de energia é anulada por uma série de fatores como o estresse, tóxicos, bebidas em excesso, etc. O estresse, tão comum na vida das pessoas, enfraquece o sistema imunológico e propicia o aparecimento de doenças. Os neurotransmissores do nosso cérebro são os mensageiros dos nossos pensamentos bons ou ruins, para o hipotálamo que envia essas mensagens para a hipófise que automaticamente redistribui por todo o corpo, influenciando decisivamente no funcionamento das células do sistema imunológico. As pessoas que vivem sempre estressadas provocam, sem o saber, um enorme desgaste em seu corpo. A relação corpo-mente é impressionante. A sensação de fadiga constante, por exemplo, é um dos primeiros sinais dessa reação de estresse. É muito comum ouvirmos dos clientes e amigos a queixa de que estão sempre cansados. Essa fadiga nas pessoas vem assumindo uma proporção muito elevada nos dias atuais. A fadiga é a ausência da energia física, intelectual e emocional, conseqüência de um trabalho exagerado que oferecemos ao nosso cérebro. Tudo que existe no universo possui energia, não só o meio biológico como o físico: vejam que beleza as ondas do mar, o fenômeno das mares despejando de forma cronometrada as águas dos oceanos na praia; a terra girando em torno de seu eixo e ao redor do Sol com um velocidade extraordinária, a força dos ventos. Assim é o universo, um campo dinâmico e potente de imensa quantidade de energia. Da mesma forma somos nós, humanos, peregrinos desta terra e ricos em energia que nos chega através do alimento, do oxigênio e da água. Quando perdemos nossa energia então nos sentimos fatigados. Vamos caminhar, caro leitor, com bons pensamentos, que são estimulantes do nosso cérebro, apesar de todos os obstáculos da vida moderna. Com fé em Deus e coragem, caminharemos pensando na vida e não apenas correndo pela vida como se não fosse possível correr e pensar ao mesmo tempo. Lembre-se que o tempo não espera por ninguém; o dia de ontem é história, o amanhã é um mistério, o hoje é uma dádiva. Por isso é chamado presente. Aproveite! (*) É MÉDICO