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Nada acontece por acaso .
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Recentemente, durante férias mundo afora, percorria lugares que há muito tempo sonhava conhecer, até que uma pane inesperada no motor do automóvel alugado me ofereceu a oportunidade de vivenciar experiência única.
Recordo que ao sair do veículo para decidir o que fazer, a visão se expandiu além do asfalto, alcançando paisagem ao redor, ricocheteando em colinas ondulantes que, sob a luz suave da manhã, se revelavam verdadeiro quadro natural de serenidade.
E parado, escutando o cantar dos pássaros, rapidamente entendi ser tal contratempo revelador de oportunidades com as quais não contava, por desnudarem situações interessantes, se transformando em chance para desacelerar e observar o encantamento das coisas.
Deitado na relva, sentindo a suavidade do capim sob o corpo, colchão que acolhia meus pensamentos, ainda aguardando o apoio mecânico chamado, imaginei ser a vegetação que emoldurava as redondezas fruto da inspiração de artista imaginário que concebeu o cenário com cores e texturas, transformando-o em obra de arte viva, desnudando árvores majestosas, com suas copas frondosas, oferecendo sombra e abrigo, enquanto suas folhas sussurravam segredos ao vento, formando linhas e curvas que me guiavam o olhar, destacando montanhas ao longe ou suavizando a transição entre o solo e o céu, como ambiente imortalizado no filme “Noviça Rebelde”.
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Dessa forma, a graça daquele local não apenas se estabelecia, mas também era enriquecida com a presença vibrante e essencial de pequenos animais, cujas estripulias, pareciam convidar a pausar e contemplar a interdependência entre todas as formas de vida, lembrando a grandeza desse vasto e belo quadro natural.
Depois de algum tempo, encantado com o que vivenciava, surgiu o socorro esperado. Foi quando entendi que tal momento de pausa forçada se transformara para mim em lembrete, de ser a vida cheia de surpresas e que até mesmo os imprevistos têm seus propósitos. Uma pane no carro, ao contrário de ser encarado como tempo perdido, transformou-se, na verdade, em bênção disfarçada, oportunidade de parar e ver a beleza do mundo com novos olhos, reafirmando a crença de que nada acontece por acaso.