Opinião
Seguran�a p�blica em debate
| ELAINE PIMENTEL * Alagoas vive um momento histórico singular, marcado pela mobilização de diversos setores do Estado e da sociedade civil, no sentido de enfrentar o problema da criminalidade e da violência. O elevado número de jovens mortos a cada semana, sobretudo nas periferias das cidades, demonstra que vivenciamos uma verdadeira era de desvalorização da vida humana e de conseqüente banalização da morte. Esse cenário inquietante exige, então, uma melhor compreensão da realidade vivida pelo povo alagoano, a fim de que o poder público possa intervir da forma mais sensata possível, sem cair na vala comum da criminalização da pobreza. Na semana que passou, Maceió foi sede do Congresso Nacional de Segurança Pública e da 2ª Conferência Estadual de Segurança Pública. O objetivo dos eventos era unir profissionais, estudiosos e a comunidade ao redor de temas relacionados à segurança pública, proporcionando, então, um espaço plural de debates. Fugindo de uma abordagem meramente legalista e inócua para resolver as questões relacionadas à criminalidade e à violência, os expositores ali presentes proporcionaram um olhar multidisciplinar sobre essa problemática, sobretudo porque o foco não era a legislação penal, mas sim o ser humano e suas formas de construir o mundo e as relações com a alteridade. De fato, a segurança pública já não pode mais ser concebida como uma esfera isolada de atuação do Estado, distanciada de outras dimensões importantes da estrutura social, a exemplo da educação, do serviço social e do planejamento dos espaços urbanos. Segurança pública, portanto, não é apenas caso de polícia, mas também de políticas públicas mais amplas, que resgatem a valorização da vida e da cidadania, tão banalizadas nos dias de hoje. Por outro lado, não se pode pensar a segurança pública como algo unilateralmente estabelecido pelo Estado. É certo que o poder público tem papel fundamental nesse processo, na qualidade de gestor da coisa pública, mas é preciso também alimentar, nas comunidades de todas as classes sociais, o desejo de engajamento em ações cotidianas de revalorização da vida humana e da paz. Somente assim será possível plantar sementes de uma verdadeira mudança de cultura, voltada para o reconhecimento da dignidade humana como um elemento central para a convivência em sociedade.. (*) É professora da Ufal e membro do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas ? Nevial.