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Opinião

Por que Antanas Mockus tem raz�o?

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| RUTH VASCONCELOS * Estamos acompanhando o esforço do governo estadual no sentido de estimular uma ?Cultura de Paz? entre os alagoanos. A urgência desta política está posta a todos que acompanhamos cotidianamente a ?banalização da morte?, que traduz exatamente um processo de ?desvalorização da vida? entre os viventes. Com a certeza de que não precisamos ?inventar a roda?, a equipe do governo recorreu à assessoria de Antanas Mockus, ex-prefeito de Bogotá, que conseguiu, com suas intervenções governamentais, reverter significativamente os índices de homicídio daquela cidade. Sua proposição em defesa de uma ?cultura de paz? e ?valorização da vida? pode e deve ser acolhida por nós como um caminho viável na medida em que ultrapassa as especificidades de sua ?terra natal? e aborda a questão da violência, considerando a própria condição humana que é universal. Viver em sociedade pressupõe o respeito ao outro e o reconhecimento de seus direitos. É preciso um código social e cultural, aceito e reconhecido por todos, que sirva de parâmetro para a mediação das relações sociais. Não há possibilidade do respeito ao outro se não reconhecemos as necessárias interdições sociais e subjetivas para o convívio social. Como uma ação de governo pode nos fazer conter nossos impulsos agressivos e destrutivos inerentes à condição humana? Como uma gestão pública pode intervir no sentido de sensibilizar a sociedade da urgência de renunciarmos aos nossos desejos de auto-gratificação sem limites, ou seja, sem considerar o ?outro? como uma alteridade? Essa é uma tarefa hercúlea que o governo não tem se furtado enfrentar. A presença de Antanas Mockus entre nós tem possibilitado ricas e importantes discussões que apontam a possibilidade de intervenções práticas que possam resgatar alguns valores preciosos e imprescindíveis para a vida em sociedade. O primeiro dele é o valor universal de um ditame secular que parece estar sendo negligenciado pela sociedade e, infelizmente, por algumas autoridades: ?Não matar!?. A vida é única e insubstituível. Esta é uma razão justa e suficiente para nos unirmos em favor da paz. (*) É professora da Ufal, coordenadora do Núcleo de estudos sobre a violência em Alagoas ? Nevial.

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