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M�dica de flores

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| JOSÉ MEDEIROS * O escritor e poeta Vinícius de Morais tem uma bela crônica intitulada o ?Médico de flores?. De maneira fantasiosa e poética ele diz e explica que gostaria de assim ser apresentado, nas festas e recepções: ?Que linda e honesta profissão a ter! Estaria muito bem no meu consultório e, de repente, minha mãe, aflitíssima, telefonaria: meu filho venha depressa que minhas rosas estão morrendo... E eu partiria com minha maletinha, para auscultar o coração das rosas, aplicar-lhes a coramina das flores, fazer-lhes transfusão de seiva, reavivar-lhes as cores, a fragrância e beleza. Voltaria feliz e diria com orgulho: acho que consegui salvar as rosas de minha mãe?. Claro que médicos de flores não constam dos limites frios das determinações legais. Mas, há profissionais que tratam esses sorrisos das espécies vegetais com tanto carinho e zelo, que bem mereciam o nome dessa nova especialidade. Lembrei-me de Vinícius e de sua crônica, tão simples e de tanta sensibilidade, ao recordar a perda de uma amiga querida, Ilma Vilela, que recentemente ultrapassou os frágeis limites da vida humana, passando para a eternidade. Tinha mãos de fada, transformava flores de origens diversas em lindos ramalhetes, guirlandas e arranjos florais, que davam colorido aos espaços e locais de festejos. Era, realmente, uma médica das flores, além de qualidades pessoais de profunda solidariedade humana. Quem sabe, num arroubo de imaginação, nas asas da fantasia, não se poderia pensar que os toques suaves de suas mãos sensíveis ajudariam a manter o frescor e a fragrância suave dessas flores, por um tempo bem mais longo. Na árvore de nosso ciclo existencial, quando perdemos alguém de nossa afeição, significa mais uma folha que se desprega e cai do ramo da vida, desprendida do galho e levada pelos ventos do outono. Como é bom saber que sua vida deixou marcas sentimentais profundas de ausência sentida. Dores que maltratam e ferem, proporcionam aos seus entes queridos, ?horas mais cruéis das quantos viu o tempo em sua lenta e eterna romaria?. Nas palavras sábias de muitos que passaram por minha vida, o tempo é o senhor que tudo sabe e tudo cura. É lenitivo para as chagas do coração, responsável pela cicatrização de importantes feridas: seja de amores que se vão, seja da dor de perder um alguém que realmente se ama. O tempo dura o necessário para tornar-se inesquecível. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.

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