Opinião
M�es
| JORGE BRISENO * O leitor amigo, mais desatento, pode imaginar que irei falar, tardiamente, daquelas maravilhosas mulheres que nos cobriram do mais enlouquecido amor e dos mais ardorosos abraços e beijos, durante as nossas vidas. Não, meu estimado leitor, não é exatamente das nossas mães que desejo falar, se bem que ? e o amigo irá concordar ? elas merecem mais palavras de reconhecimento e de gratidão do que as que este jornal contém. Na verdade, irei falar de duas ?mães?, que assim foram nomeadas por decreto do presidente Lula. Antes que o amigo seja tomado pelo estupor, solicito calma e, já, já, passo a esclarecer. Todos vocês viram, nos jornais televisivos, o nosso guia, durante um desses lançamentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), anunciar, para quem desejasse ouvir, que a Dilma Rousseff (poderosa ministra da Casa Civil) era a mamãe do PAC. Deste modo, o presidente quis mostrar à Nação que o PAC ? segundo ele, o maior programa de obras de infra-estrutura que este País já viu desde que Cabral aqui aportou ? tem como idealizadora a titular do Gabinete Civil, e cabe a ela zelar por ele. A segunda mãe, do mesmo modo nomeada por um ato de vontade do nosso maior mandatário, foi a ex-ministra do Meio Ambiente, a destemida seringueira Marina Silva. A Marina foi nomeada a mamãe do PAS (Plano Amazônia Sustentável) por ser dela a elaboração do projeto. O PAS reúne um rol de ações que tem como objetivo impedir o desmatamento da região. Até aí tudo bem com o andor. O problema é que o filhote da Dilma, o PAC, já está sendo visto com profundo ceticismo, tal a lentidão com que vem sendo tocado. Dos R$ 15,7 bilhões do orçamento federal para 2008, apenas 0,74% foi liberado até agora, e observem que já estamos entrando no segundo semestre de 2008. Quanto ao PAS, o presidente entregou o filhote da Marina aos cuidados do estrambótico ministro americano travestido de brasileiro, Mangabeira Unger. Marina, mãe extremosa que é, não suportou tão dilacerante dor. Saiu do governo afirmando com uma candura salomônica: ?É melhor ter o filho vivo em colo de outro do que vê-lo jazendo em seu próprio colo?. Comovente! No entanto, infelizmente, tenho o pressentimento de que a Amazônia, com PAS ou sem PAS, continuará a arder. Os antigos afirmavam que ?nós somos escravos das nossas palavras e senhores do nosso silêncio?. Seria bom o Lula seguir este conselho e estancar a mania de conceder título tão nobilíssimo de mãe a torto e a direito. (*) É diretor de Operação da Casal.