Opinião
Reagindo � decep��o - Editorial
Depois dos primeiros momentos de perplexidade e revolta frente a decisão inesperada do STF em desfazer os históricos passos da Justiça alagoana em relação a parlamentares indiciados em crimes contra o erário, cresce o sentimento de revolta e decepção em Alagoas. Não se pode negar razão de ser desses sentimentos, mas não se pode aceitar que se espalhe pela sociedade um pessimismo mórbido em relação à Justiça como um todo e para com as perspectivas da prática ética no exercício dos poderes públicos constituídos. Não se pode confundir uma decisão liminar, por mais chocante e decepcionante que tenha sido, com o veredicto final sobre o caso. Independente de muitos profissionais do Direito estarem expressando suas dúvidas em relação aos efeitos e aos fundamentos da decisão do ministro Eros Grau, o essencial é entender-se que o processo segue adiante, e apesar deste revés cidadão, nada indica que a impunidade venha ser imposta. Em verdade, é muito confuso para a opinião pública o contraditório procedimento de, depois do próprio Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça terem se pronunciado, em mais de uma oportunidade, sobre o mesmo processo (afastamento dos deputados envolvidos na Operação Taturana), e respaldado os encaminhamentos da Justiça até então, um magistrado, numa única e solitária canetada, jogar tudo isso no lixo, imprimindo uma marcha à ré dramática ? senão trágica ? no ascenso da cidadania. Esse conjunto de decisões torna-se incompreensível e inaceitável para a opinião pública em função do antagonismo entre a coerência dos pronunciamentos exarados e o repentino ?anule-se?. Apesar das óbvias razões para a decepção pública, será um enorme prejuízo para todos permitir que o sentimento de inevitabilidade da injustiça e impunidade se consolide. A Justiça, ao fim e ao cabo, prevalecerá.