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Incompat�vel com o lucro

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| ÁLVARO MENEZES * Apesar do lulismo e mais pela herança bendita que conseguiu sobreviver ao petismo vigente até 2002, o Brasil avançou e se desenvolve como o País que quer ser uma realidade e não a eterna promessa. Bons indicadores atestam a tendência de sustentabilidade das mudanças iniciadas há mais de uma década. Por suas decantadas dimensões continentais e pela cultura de seu povo, no entanto, os bons resultados são atropelados pelas dificuldades gerenciais que o setor público enfrenta e, por pior que isso pareça, alimenta, com base na associação permissiva e negativa entre o público e o particular, entre o político e o partidário. O setor de saneamento padece do mal de ser essencial sem ser importante; ser fator de desenvolvimento econômico e social, sem ser tratado como serviço a ser gerenciado com competência e estratégias empresariais; ser um serviço público para conveniência de poucos, sem ser para todos; ser uma atividade dita de caráter social e para pobres, sem ser tratado como um negócio que precisa dar lucro para ser universal. Tanto quanto a saúde pública, a educação, a segurança e o meio ambiente, o setor de saneamento precisa passar por mudanças conceituais e corajosas para que possa ser o que realmente representa para qualquer sociedade: um fator de desenvolvimento econômico e social associado à gestão ambiental e para todos os cidadãos. Ter o marco regulatório nacional representado pela Lei de Saneamento e uma Secretaria Nacional; trabalhar em alguns Estados sob regulação de agências independentes; ter exemplos bem-sucedidos de prestadores de serviços privados, municipais ou estaduais, é sinal de amadurecimento que precisa ser aproveitado e aprimorado, deixando de lado a paixão que faz com que ideologia se iguale à política, que interesses corporativistas superem o interesse comum e a gestão pública seja confundida com o preenchimento de cargos por amigos e militantes. O setor de saneamento não é incompatível com o lucro, pois, não há como atingir a universalização sem um modelo financeiro onde serviços prestados com regularidade, segurança e qualidade não sejam remunerados. O desafio é começar desmistificando conceitos que remontam ao passado de um petismo que o lulismo de resultados sepultou. É preciso falar com clareza sobre lucro, parcerias público-privadas (PPPs), profissionalização da gestão dos serviços de saneamento, democratização para escolha dos prestadores de serviço que efetivamente atendam ao interesse público, regulação e o verdadeiro controle social. (*) É diretor Comercial da Casal.

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