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As dependências: como lidar com elas? .
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Convivi proximamente por mais de quatro décadas com um esforçado colega com o qual lidava diariamente com pacientes portadores de câncer, entre os quais alguns com a doença em suas formas mais agressivas, como o de pulmão e o de boca, em sua maioria ocasionados pelo uso do cigarro. Embora coexistisse com essa situação, por mais que tentasse, nunca conseguiu se libertar da dependência do fumo. Infelizmente, como muitos outros, sofreu as suas piores consequências.
São milhares em todo o mundo os que enfrentam esse desafio, lutam herculanescamente e não conseguem se desvencilhar. Os números falam: segundo a OMS, o cigarro ainda é a principal causa de mortes evitáveis. Embora os malefícios decorrentes de seu uso sejam do conhecimento público há pelo menos 7 décadas.
Registrem-se as dependências de drogas, como o álcool, responsável também por grande parte dos acidentes de trânsito, além das ilícitas, como a heroína, e, nos EUA, a metanfetamina, que supera a cocaína em número de usuários e dependentes. As drogas são onipresentes na vida humana.
Cada vez mais as formas de dependência são variadas: uma delas é o uso abusivo dos aplicativos da internet, que torna cada vez mais pessoas dependentes de forma compulsiva, desde o amanhecer até altas horas da noite. Casos de estresse decorrentes dessa compulsão são cada vez mais frequentes. Os educadores estão preocupados com o resultado disso em crianças e adolescentes.
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Outra dependência mais recente e das mais complicadas são as bets. Recente estudo do Banco Itaú estimou que, nos 12 meses de junho de 2023 a junho de 2024, os brasileiros perderam R$ 23,9 bilhões nelas. Na maioria são pessoas humildes que sacrificaram itens básicos de sobrevivência na jogatina legalizada. Um terço delas perdeu o emprego e está endividada.
Atualmente, o Brasil conseguiu reduzir significativamente o número de fumantes tradicionais, mas um imenso desafio se apresenta: os cigarros eletrônicos, que ganham muitos adeptos na juventude. Eles são tão nocivos quanto os cigarros comuns e nenhum estudo consistente demonstra que são mais fáceis de largar de que os outros. A cantora Rita Lee afirmava que não se arrependia das muitas dependências que tivera em sua vida, mas se vangloriava das vezes que conseguiu sair delas. Uma rara e extraordinária superação. Culpar, discriminar, perseguir e até criminalizar os dependentes, quaisquer deles, não tem se mostrado uma solução saneadora. Os dependentes necessitam de empatia, de ajuda profissional, de apoio e da força da família, os que as tem, para tentar se libertar dessas correntes escravizadoras.