Opinião
Os bem-amados
| RONALD MENDONÇA * Numa época não muito remota dizia-se que, na política, as mulheres eram mais confiáveis. Naturalmente mais intuitivas, comprovadas administradoras da economia doméstica, seriam mais responsáveis, mais dedicadas e teriam um selo de qualidade (genético?) pouco visto nos políticos do sexo masculino: seriam mais honestas. Um plus a favor da mulherada é que não é do feitio participar das farras e cachaçadas masculinas, locais preferenciais onde são amarrados os esquemas de dilapidação do patrimônio público. Por tudo isso, não costumava decepcionar. Ainda com uma participação muito pequena ? se não me engano, apenas 10% das parlamentares são do sexo feminino ?, talvez no afã de uma igualdade, ultimamente o ?sexo frágil? tem botado as unhas de fora. Que unhas! Embora não as eximam de culpas, há quem diga que atrás de todas essas mulheres transgressoras estão os seus ambiciosos maridos/comparsas. A doce evangélica e ex-governadora do Rio de Janeiro Rosinha Mateus estaria aí inserida. A despeito de não serem de hoje as acusações de corrupção, nas últimas semanas o bicho pegou feio. Com efeito, o casal Garotinho é apontado como maestro de rendoso esquema de recepção de propinas. O principal cúmplice, o ex-secretário e deputado Álvaro Lins, já foi devidamente enquadrado. O farto e bem comportado Rio Grande do Sul mostrou serviço. É que o Detran dos pampas gaúchos, assim como os Detrans de outros Estados, inclusive o de Alagoas, é um dos maiores antros de roubalheira. Com fama de austera, está difícil para a tucana Yeda Crusius provar que tem as mãos limpas. Enrolada até o gogó na confecção de dossiês de adversários, para chantageá-los, a inamistosa Dilma Rousseff voltou a ocupar o noticiário, dessa vez como lobista da negociata da Varig. Com milhões de reais em jogo, a coisa ganha contornos psicodélicos, porque envolve um compadre e amigo do presidente. De qualquer forma, vai-se conhecendo o caráter dessa ?extraordinária? (apud Lula) mãe do PAC. Com tantos escândalos rolando, os alagoanos estão de alma lavada e enxaguada, como diria o insuperável prefeito de Sucupira, Odorico Paraguassu. As alegrias são tantas que não cabem no papel. Primeiro, foi verificar que ter ladrões não é privilégio das Alagoas. A segunda, o retorno triunfal dos deputados da Taturana. Os conterrâneos estão orgulhosos por ter uma Assembléia Legislativa tão atuante e homogênea. Tudo a ver com o restante do País. (*) É médico e professor da Ufal.