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Opinião

Eles deixaram saudades

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| MARCOS DAVI MELO * Este dia, no qual escrevo este artigo, é muito triste. Estava trabalhando na Santa Casa, quando um colega muito estimado, o João Aderbal, contristado, me telefonou avisando do falecimento do João Macário. Insisti que aquela má notícia poderia ser um rebate falso, um engano; o Macário era ainda um homem de seus cinqüenta e poucos anos e ao que sabia, não era portador de nenhuma doença muito grave que lhe ameaçasse a vida a qualquer momento. Mas, infelizmente, era verdade. O Macário tinha trabalhado normalmente no Hospital Universitário até a véspera de seu falecimento, onde inclusive, no intervalo, tinha tido alguns momentos de relaxamento com alguns dos seus muitos colegas e amigos, como o Pedro Gomes, o Ariosto, o Florisvaldo e o Pádua; que naquele respeitado hospital passam grande parte de seu tempo. Foi para casa, jantou com a família, foi dormir e não mais acordou, vítima de um infarto do miocárdio fulminante. O Macário foi um profissional que muito honrou a nossa Medicina. Dedicou-se à geriatria, mas teve um horizonte muito mais amplo em suas preocupações com a saúde pública. Foi secretário municipal de saúde na atual gestão e enquanto exerceu o cargo o fez com grande dignidade e probidade; além do que, muito do que hoje é o HU se deve ao seu trabalho como diretor daquela instituição. Era sempre muito cordato e agradável na convivência. Pai de família exemplar, privilegiava a esposa e as filhas em seus momentos de lazer, inclusive nos fins de semana, quando as preferia a qualquer outra companhia. Bem-humorado, piadista, curtidor das boas coisas da vida, como teatro, música e cinema; além do que era um folião entusiasmado do Pinto da Madrugada, indo sempre até o final do desfile do bloco, quando ainda ficávamos sob o sol abrasador da orla, batendo papo sobre as amenidades da vida. Foi-se também precocemente e no mesmo dia o Maneco Moura Resende, amigo de infância, quando batemos muita bola no gramado de seu pai, o dr. Moura Resende. Dedicou-se também à oftalmologia e foi vitimado por complicações de uma dengue hemorrágica ? esta praga que aflige toda a comunidade. Esta é uma realidade dolorosa: a perda brusca e precoce dos amigos; sentimos-nos como se fôssemos uma árvore que vai perdendo as folhas, ficando desfolhada e ressecada. Como afirmava Proust: ?Não é porque os outros morreram que a afeição que lhes dedicávamos se debilita: é porque nós mesmos morremos?. (*) É médico e professor da Uncisal.

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