Opinião
Disc�pulos e mission�rios: inspirados pelo grande jubileu
| DOM ANTONIO MUNIZ * Foi precisamente no dia 28 de junho de 2007, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, que o Papa Bento XVI, convoca o Ano Paulino. Estas as palavras do Papa: ?Fazemos grata memória desses dois Apóstolos Pedro e Paulo, cujo sangue, juntamente com o de outras testemunhas do Evangelho, tornou fecunda a Igreja de Roma?. Presentes neste ato solene, tantas figuras veneráveis de Metropolitas e Patriarcas das Igrejas da Ásia Menor, em um cenário vivo do labor sem pausa do Apóstolo Paulo. Tudo isto nos faz recordar o início da pregação dos apóstolos e o surgimento em tantos mundos e culturas diferentes, das primitivas comunidades cristãs. Aí, neste dia venerável para a Santa Igreja, surgia um forte grito e desejo sincero de comunhão plena entre o Oriente e o Ocidente. Foi por esta unidade da Igreja de Cristo, que os Apóstolos Pedro e Paulo ?consumaram a sua existência até o supremo sacrifício do sangue?. Falar de Paulo é ter a coragem e a disposição para a missão: ?Ai de mim se não evangelizar!? E falar de Pedro é recordar a própria Igreja de Cristo, e na certeza celebrar que, ?as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela e o que ligares na terra será ligado no céu? (Mt. 16, 19). Gostaria de concluir esta reflexão permitindo que Dom Hélder fale de modo particular à Igreja, neste tempo de incertezas e inseguranças porque passamos. Ele foi um intrépido defensor da renovação da Igreja que emergiu do Concílio Vaticano II, consciente de sua missão, inserida nas grandes realidades do mundo contemporâneo, em diálogo com os grandes desafios da História e da sociedade. Ele tem uma clara consciência da grandeza e da fragilidade da Igreja, do caráter de santidade e de pecado da comunidade dos eleitos. Em palavras poéticas e proféticas declara seu amor e afirma sua esperança na Igreja: ?Amo-te Igreja de Cristo! Como imaginar... Como poder pensar que a barca de Cristo poderá naufragar? Que as tempestades não nos assustem... Que não temamos vendo as nuvens escurecendo... Que não temamos ouvindo os trovões, vendo os relâmpagos e tendo a impressão de que as grandes ondas vão virar a barca e submergi-la... Nem nos demos ao trabalho de acordar o Mestre, se ele dormir um instante com a cabeça em um rolo de cordas. Se nossa fé for firme, se nossa esperança for inabalável, se nosso amor por Deus e pela humanidade só fizer crescer, tenhamos a tranqüila certeza de que, na hora mais grave, bastará um olhar de Cristo, um aceno de sua mão e a tempestade se acalmará!?. (*) É religioso da Ordem Carmelita e arcebispo Metropolitano de Maceió.