Visio sana in corpore sano:
A importância da visão na saúde e no esporte .
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“Mente sã em corpo são” é uma expressão antiga que mostra a intrincada relação entre saúde e esporte. Como oftalmologista e neurocientista entusiasta da visão, quero propor uma nova variável: “Visio Sana in Corpore Sano in Mens Sana”. A visão, embora não seja um pré-requisito, é um facilitador importante para a saúde e o esporte.
Evolucionistas como Darwin nos ensinam que a visão surgiu há 500 milhões de anos para ajudar os primeiros animais a se locomoverem e navegarem em seus ecossistemas. Na competição entre predadores e presas, espécies com melhores recursos visuais e agilidade evoluíram, enquanto outras foram extintas por sua lentidão e percepção tardia do perigo. O esporte, portanto, reflete a competição humana e animal pela sobrevivência, exigindo habilidades visuais fundamentais. É por isso que nos empolga, nos atrai e ativa nossos neurônios-espelho, liberando adrenalina, tal como guerreiros e desportistas fazem na prática.
O esporte substituiu até a guerra na disputa entre povos e nações. No estudo da visão, o esporte é um grande laboratório que nos permite entender os limites e capacidades dos nossos sentidos. As Olimpíadas, por exemplo, são a grande celebração dos nossos melhores atletas. E a luz natural indispensável no esporte ao ar livre é o maior fator de saúde para a visão.
O evento atrai a atenção de milhares de pessoas para a maior competição mundial e destaca como a saúde ocular influencia diretamente a performance dos atletas. Existe uma característica essencial aos atletas, independentemente da modalidade: a visão dinâmica, que permite perceber objetos em movimento, reagir rapidamente e tomar decisões rápidas, conforme a demanda de cada posição. A visão mais rápida é o maior diferencial competitivo.
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Compare, por exemplo, um goleiro e um atacante no futebol. O goleiro precisa de uma boa visão periférica e excelentes reflexos para identificar ameaças e se posicionar adequadamente para defender o gol. Já o atacante deve ter uma excelente visão de posicionamento dos jogadores no campo, prevendo e planejando as jogadas para garantir um gol. Na natureza, o atacante precisa da habilidade do predador e o goleiro das habilidades de defesa da presa.
As modalidades ao ar livre, como ciclismo, corrida, tiro ao alvo e golfe, frequentemente exigem o uso de óculos para proteção contra vento, detritos e raios solares, proporcionando maior conforto ocular. A tecnologia de apoio a visão nestes casos é validada por regras que permitem a maximização da visão como um sentido.
Ninguém nasce com essas habilidades. Elas precisam ser aprendidas e aperfeiçoadas, envolvendo a neurovisão. Essa área explora como o cérebro processa e integra informações visuais complexas, essenciais para uma boa performance atlética. O treinamento permite maximizar como olhos e cérebro conduzem e direcionam o corpo durante uma competição, avaliando pontos fortes e fracos do sistema visual e indicando melhorias com o auxílio de óculos, cirurgias, LEDs piscantes e Eye Trackers para medir a precisão do olhar.
Mesmo diante das desvantagens causadas pela perda de sentidos como a visão ou por limitações físicas, as Olimpíadas abrem espaço para os deficientes nos Jogos Paralímpicos, em uma linda homenagem e respeito a todos os atletas, celebrando suas extraordinárias conquistas e resiliência.