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As queimadas e a saúde .
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As grandes queimadas que vêm transformando o país em uma imensa fogueira, atingindo pesadamente pelo menos oito estados (que vão do Norte ao Centro-Oeste e até ao Sudeste, antes poupado) e o Distrito Federal, além dos prejuízos econômicos diretos, que segundo cálculos iniciais chegam aos sete bilhões, trazem consequências para a saúde pública, que vão muito além das vítimas imediatas das chamas, entre as quais está um brigadista sacrificado durante tenaz empenho para debelar as grandes chamas.
A saúde é o nosso maior patrimônio e sabemos que as partículas finas e gases poluentes de queimadas irritam as vias respiratórias e podem exacerbar doenças pré-existentes, como asma e bronquite. Os danos se intensificam de acordo com o tempo de exposição, mas é possível ter alterações agudas no pulão respirando esses poluentes por apenas um dia, dependendo da quantidade e da idade da pessoa, estando as crianças e os idosos entre os mais suscetíveis.
A fuligem, composta por substâncias tóxicas, como o monóxido de carbono (o mesmo gás produzido pela combustão do cigarro) e óxidos de nitrogênio, irrita as vias respiratórias e pode reduzir a função pulmonar. Cronicamente, também amplia o risco de câncer de pulmão.
O tempo seco e a baixa umidade (cada vez mais presentes e duradouros) relativa do ar desidratam as vias respiratórias, tornando-as mais suscetíveis à irritações e infecções. Isso pode causar tosse seca, desconforto respiratório e agravar condições alérgicas.
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Para evitar ou mitigar os impactos da exposição é recomendado usar máscaras de exposição e soro fisiológico para hidratar as mucosas e combater os efeitos do ar seco, priorizando as crianças, idosos e portadores de enfermidades respiratórias. Mas quem tem disponível em casa essa estrutura? Os postos de saúde estão capacitados para atender mais essa nova demanda, e se não forem tomadas as providências necessárias, os prejuízos tendem a se ampliar?
Como já existem pessoas detidas, inclusive em flagrante, suspeitas de tocar fogo nas matas, é preciso ampliar as investigações, sem menosprezar a antiga coexistência da participação humana, seja através de focos de incêndio provocados pelos que buscam “limpar” terrenos, seja por negligência, como bitucas de cigarro largadas na estrada ou no campo. Os desafios são relevantes para as autoridades públicas.
Os empenhos das três esferas de governo precisam ser somadas com os da iniciativa privada, que, ao que parece, acordou para essa tragédia que, somada às incontestáveis mudanças climáticas – como as enchentes no RS e a inédita seca na Amazônia –, evidenciando que não existe o mínimo espaço para o negacionismo.