Opinião
Defesa da esperan�a - Editorial
Anteontem, enquanto uma simulação de assalto a banco, realizada com o fito de treinar as forças policiais, assustava a população arapiraquense, uma série de crimes reais castigava (de verdade) a população alagoana. Naquele mesmo dia, no qual o exercício prático levava policiais fortemente armados ao Centro de Arapiraca, um empresário era baleado numa das rodovias mais movimentadas do interior alagoano, no município de União dos Palmares, e, no município de Palmeira dos Índios, duas jovens, gêmeas de 16 anos, eram detidas pelo assassinato de um pai de família. E outras tantas ocorrências foram registradas, porém não sobrou espaço na mídia para noticiá-las. Vivemos uma dramática realidade na segurança pública em Alagoas, cujas características caóticas devem ser reconhecidas pelas autoridades até como forma de melhor serem arquitetados planos condizentes com a situação dada. Cobra-se à equipe responsável pela segurança pública alagoana resultados objetivos e começa a ser notada uma certa impaciência em relação à atuação dos policiais alçados à condição de dirigentes da Defesa Social num momento onde toda a sociedade (através dessas nomeações) vislumbrou a esperança de mudanças radicais. Não se discute a intenção e a dedicação dos responsáveis pela segurança pública alagoana. Não se duvida das imensas dificuldades encontradas pela nova equipe, inclusive com enfrentamentos internos que não podem ser menosprezados. Não se ignora a gravidade dos problemas da violência e do banditismo historicamente fortes e atuantes no cenário alagoano. Nada disso pode ser desconhecido, nem se esperam mágicas dos responsáveis pela segurança pública alagoana, mas é indispensável que algo além da presença da Força Nacional seja apresentado aos alagoanos para que a esperança (também) não seja trucidada.