Opinião
A necess�ria f� na vida
| JOSÉ MEDEIROS * Vivemos numa época singular. O conhecimento humano encontra-se num patamar nunca antes visto, expandiu-se a expectativa de vida, curas para doenças graves foram encontradas. Todavia, aumentamos nosso poder de destruição, alastram-se o pessimismo e o individualismo, percebendo-se, também, uma diminuição na fé. Não falo somente na fé religiosa, mas na fé da própria vida, na dádiva e no poder de fazer algo a mais no milagre que é a existência humana. A fé na vida é capaz de nos mover para cima e para frente. Ela mantém nossa energia elevada, nos sustenta, principalmente, nos momentos de dificuldades. Enquanto a temos, não desistimos, não nos deixamos abater pelo medo e pelos obstáculos do caminho. A própria ciência já se debruça em estudar as contribuições positivas da fé no homem. Pascal, filósofo e matemático francês, já dizia, em pleno século 16: ?A razão seria muito débil se não compreendesse que há muitas outras coisas que a ultrapassam?. Na mesma linha de pensamento, o historiador Robert Lenoble dizia: ?Em cada laboratório científico, esconde-se, algumas vezes, um grande oratório?. O famoso biólogo americano Francis Collins foi autor de um dos feitos mais notáveis da ciência: o mapeamento do DNA humano. Collins, temente a Deus, escreveu a obra A linguagem de Deus, para mostrar que ciência e fé não são incompatíveis, mas complementares. A ciência investiga o natural, a religião investiga o espírito. Gracejo ou não, muitos brasileiros acreditam que Deus é ?brasileiro?, pois permite a convivência entre riqueza e miséria, violência e paz. Quando da visita do Papa Bento XVI, foi feita uma pesquisa sobre a religiosidade no país: 97% dos entrevistados afirmaram acreditar na existência de Deus. Os que se diziam ateus não eram bem compreendidos. Num congresso brasileiro de médicos escritores, um conferencista, do alto de sua pose, declarou-se ateu. Uma poetisa alagoana reagiu e teceu argumentos que desconcertaram o conferencista. Conclusão: o tema daquela manhã transformou-se numa ampla discussão sobre fé e razão, religião e ciência. Uma estatística bem curiosa: Alagoas tem um contingente de pessoas sem fé, em torno de 10%. Os menores índices de incrédulos estão em Santa Catarina (2%) e no Paraná (4%). Um fato é reconhecido: a maioria das religiões contribui para a paz, o ecumenismo e diálogo entre os povos. Acreditar na vida é não desperdiçar o presente que nos foi dado, para que possamos viver mais e melhor. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.