Opinião
Fontes complementares
| GEOBERTO ESPÍRITO SANTO * O Brasil utiliza 25% do seu potencial hidráulico para gerar energia elétrica, sem querer dizer que os 100% teóricos podem ser aproveitados. A maioria desse potencial está na Amazônia, região que apresenta grandes impactos ambientais com esse tipo de obra. O custo das compensações ambientais chegará a um ponto que se tornará economicamente inviável o aproveitamento dos seus rios para esse fim. Teremos assim grandes conflitos ambientais, ainda porque é necessário também que extensas linhas de transmissão de alta voltagem levem a energia gerada para os mercados do Sudeste e Nordeste. Recentemente tivemos os leilões das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, com surpreendentes valores da energia vendida para o mercado cativo das distribuidoras, limitado a 70% do total disponível. Para Santo Antônio, o teto era de R$ 122,00/MWh e a energia foi arrematada por R$ 78,87/MWh. Em Jirau, o martelo foi batido com R$ 71,37/MWh para um teto de R$ 91,00/MWh. Certamente que os 30% restantes, endereçados ao mercado livre, vai compensar o preço médio final do produto. Esta é apenas uma das razões pelas quais os preços para o mercado cativo apresentaram tamanho deságio, assunto ainda para muitas análises. Afinal de contas, os vencedores estudaram a obra por seis anos e em vários outros pontos devem existir espaços para ganhar dinheiro, como por exemplo, a antecipação do cronograma da obra e a livre venda dessa energia antecipada fora do contrato. Por causa desse ganho de escala que se consegue com as condições regulatórias, financiamentos, compra dos equipamentos e detalhes construtivos de uma obra de grande porte, a hidroeletricidade continua sendo a energia economicamente mais viável e ainda por muito tempo será majoritária na nossa matriz elétrica. Outra grande vantagem é que no discurso da necessidade de implantação de energias limpas, a água é considerada um energético renovável. Por causa dos impactos ambientais, as usinas na Amazônia não terão grandes reservatórios de regularização, ou seja, no período seco vai gerar menos energia do que no período úmido. Para a operação do sistema significa dizer que a geração frustrada nesse período tem que ser complementada por usinas térmicas. Com as dificuldades do gás natural, as térmicas a bagaço de cana e as eólicas tornam-se as mais viáveis para ocupar esse espaço. Deixam assim de serem fontes alternativas para serem fontes complementares. (*) É professor da Ufal e consultor em eficiência energética.