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Opinião

A m�dia e Bento XVI

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| DOM EDVALDO G. AMARAL * ?A viagem de Bento XVI desencadeou nos EUA uma cobertura jornalística sem precedentes. Os jornais dedicaram páginas inteiras, o rádio e a televisão, incontáveis horas de transmissão e ? sinal dos tempos ? a visita foi objeto de debate em muitos fóruns nas redes televisivas? ? informa o prof. Robert Imbelli, do Boston College de Massachusetts, EUA, em recente artigo de ?L´Osservatore Romano?. Alguns jornais, à frente o prestigioso New York Times, criaram blogs especiais com comentários de personagens famosos sobre cada aspecto da viagem papal. Assim que eram pronunciados discursos e homilias, logo estavam disponíveis na internet, permitindo análise imediata ? é o que informa ainda o mesmo artigo do jornal Vaticano. Três destaques faz o prof. Imbelli sobre a impressão causada no coração e na mente do povo pelas imagens e textos divulgadas na América pela visita de Bento XVI. A primeira delas foi o encontro do pontífice com as crianças deficientes realizado na capela do Seminário de Nova York. Como o bom pastor, o papa abraçou e abençoou os pequeninos portadores de deficiências. A segunda, que comoveu milhões de americanos em todo o país, foi a transmissão direta da visita de Bento XVI ao Ground Zero, com o papa saudando, com grande solicitude e carinho paternal, os sobreviventes e os parentes dos que perderam a vida nos atos terroristas do 11 de setembro. E a terceira, que causou grande impacto num país de minoria católica, foi a visita que o papa Ratzinger fez à Sinagoga do Park East por motivo da celebração da Páscoa judaica. O prof. de Boston destacou ainda um encontro muito particular, que não foi difundido na hora pelos meios de comunicação, mas que causou grande impacto emocional nos que estavam presentes. Referiu-se ao encontro ? não divulgado com antecedência ? do papa com as vítimas de abusos sexuais por parte de alguns sacerdotes, promovido pelo cardeal de Boston, diocese particularmente atingida pela crise que abalou o nome da Igreja Católica nos EUA. As pessoas que estiveram presentes ao encontro referiram-se de forma comovedora acerca da solicitude do papa por eles e sobre a dor que ele, como bom pastor, manifestou pelo sofrimento dessas pessoas. A conclusão do professor é que a igreja americana deve agora aproveitar os ensinamentos que o papa lhe deixou com o enriquecimento recíproco da razão e da fé, o vinculo entre verdade e liberdade e a integração criativa da visão religiosa e a presença pública. A igreja, diz ele, em contínua purificação, permanece sempre a esposa amada de Cristo. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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