Opinião
Dif�cil reconstru��o - Editorial
Desde os idos de 1789, quando a Revolução Francesa passou a ser o referencial do início de uma nova época, o sistema da divisão do Estado em três poderes constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário) cristalizou-se como estrutura básica da democracia dita moderna. Nesses 219 anos de história, a almejada democracia sofreu além da conta. Mas, ao longo desses séculos de muita luta, sofrimentos e traições aos princípios cidadãos, pelo menos a partilha tripartite do poder constituído se afirmou como pedra angular das sociedades modernas, em todo mundo. Entender e valorizar a tríade constituinte do poder na estrutura do Estado democrático é o primeiro passo para a prática de um mínimo de democracia real. A Assembléia Legislativa de Alagoas precisa entender-se e valorizar-se como um dos três pilares indispensáveis à cidadania. Infelizmente, desde que foi deflagrada a Operação Taturana, o legislativo alagoano desentendeu-se e desvalorizou-se muito além do esperado. Desgraçadamente, essas incompreensões essenciais não apenas aprofundam a desmoralização dos parlamentares indiciados perante a opinião pública, mas ? o mais grave ? as reações levadas a efeito desde então, por parte da Casa Tavares Bastos, têm maculado profundamente a imagem do Legislativo enquanto Poder. A cada erro cometido (com o apoio da quase unanimidade de seus membros), nossa Assembléia distancia-se de seu papel institucional, e, incapaz de emergir do poço cavado por seus próprios erros, chafurda nos fluidos da desconsideração para com o julgamento da sociedade que lhe cerca. O Legislativo alagoano tem que se levantar, reerguendo-se do patamar típico das lagartas, iniciando a reconstrução de sua imagem perante a sociedade. E isso só acontecerá se a Casa Tavares Bastos mudar radicalmente seu comportamento em relação à atual crise (o que parece ser dificílimo).