Opinião
Os ex�rcitos sanguessugas
| MARCOS DAVI MELO * Dois filmes mostraram um arremedo de exército de forma picaresca e se tornaram clássicos: o Mash, que inclusive virou série de TV e tinha como pano de fundo uma dupla de médicos no Vietnã. Eles eram talentosos cirurgiões, mas notabilizaram-se muito mais por seu apetite sexual com as enfermeiras; já o Exército de Brancaleone, com Vitório Gasman, mostrava um pequeno grupo de peregrinos trapalhões na Idade Média singrando pelos campos da Itália. Eram simulacros jocosos sem maldade, sem maiores agressões às forças armadas e sem prejuízos para os cofres públicos. O crime que vitimou três jovens cariocas no morro da Providência no Rio de Janeiro, no qual um grupo de militares do Exército foi responsabilizado, mostra o que todo mundo sabe: a tropa não está preparada para ocupar as favelas e exercer o papel de polícia. Corre-se o risco de desmoralizar uma instituição nacional primordial que precisa ser preservada. Por outro lado, diante do caos na segurança pública é inadiável se achar logo alguma função para o Exército; ficar esperando por uma guerra que nunca virá é um desperdício que o País não pode se dar ao luxo, pois a guerra das ruas já está aí. Todavia, o ?exército? mais intolerável e que causa mais indignação a quem paga impostos e trabalha para sobreviver é aquele formado pelos assessores dos deputados da ALE; são 30 por deputado. Quase 900 come-e-dormes! Pagos pelo pobre erário que já sustenta muitos outros funcionários lotados lá. Em um Estado pobre como o nosso, onde falta de tudo na saúde, na educação, onde se passa fome e existe tanta miséria, isto é um abuso, uma agressão permanente a toda a comunidade. Se a Constituição e o regimento interno da ALE acobertam esta excrescência, sabe-se que quem faz estas normas são os próprios deputados. Podem até ter este amparo legal, mas ele é imoral e indecente. Pura e abominável legislação em causa própria. Assim, a redução do duodécimo da ALE é desejo generalizado e vêm de encontro ao clamor popular. Outro exército sanguessuga, constituído de fantasmas, mortos vivos e mulas-sem-cabeça foi descoberto pelo secretário Adriano Soares na Secretaria de Administração. Existia todo o tipo de enxertos e espertezas na folha de pagamento do Estado de Alagoas. É incrível como este pessoal tem criatividade para sugar as tetas do Estado sem trabalhar e de forma desonesta. Perto deles, o Brancaleone e o Mash são brincadeiras de crianças, sem maldade e sem prejuízos, nem para os cofres públicos, nem para a comunidade. (*) É médico e professor da Uncisal.