Opinião
Assaltantes de gabinete
| RONALD MENDONÇA * Sob nova denominação, o governo federal deseja ressuscitar a CPMF. Vitorioso numa primeira instância, diga-se de passagem, com o apoio integral da bancada federal de Alagoas na Câmara, é insondável mistério saber-se se será definitivamente aprovado, uma vez que o Senado tem se mostrado algo reticente. Não esquecer que foi justamente nesta Casa (Senado) que o famigerado CPMF recebeu sua pá de cal. Teoricamente bem intencionado, desde o seu início, ainda na era FHC, a CPMF seria descaracterizada. Aliás, dá náuseas ouvir o presidente Lula jogar confete no doutor Adib Jatene ? o pai da matéria. Na época, oposicionista porra-louca, intuindo que a melhoria nos índices de saúde pública poderia aumentar o prestígio de FHC, Lula tornou-se uma das vozes contrárias mais contundentes. Criado para adicionar verbas para a saúde, a contribuição serviria para cobrir rombos em outras áreas. Lula assumiu e, ao invés de acabar com o nefasto, o dobrou. Pessoalmente, não me fazia muita falta ser saqueado em cem ou duzentos reais por mês. O que revoltava mesmo era ver o nosso suor pagar toda sorte de pilantragens da turminha de governantes e apaniguados. É claro que a suspensão da CPMF não provocou quedas de preços. Muito menos fez reduzir as orgias governamentais. Quando aqui aludo ?governamentais?, não estou me atendo unicamente ao governo federal, que é sabidamente podre, corroído por cabeludos e sucessivos escândalos, mas aos governos estaduais e a outros poderes e instâncias, inclusive à recalcitrante Assembléia Legislativa Alagoana. Vá lá que o cansaço do contribuinte financie as tais ?Bolsas?, programa eleitoreiro por excelência, sob o manto de filantropia, intenções humanitárias. Vá lá. O fato é que, apesar de irrisório no plano individual, um imposto a mais, como este que tramita no Congresso, não é bem-vindo. Até porque, sua aprovação ensejará justificativas para aumento geral de preços. É balela propagar-se que pessoas de baixa renda estarão livres desse ônus. Enfim, o clima é de indisfarçável furor arrecadatório. Já não quero falar sobre o Imposto de Renda cujas taxas exorbitantes e habitual ultraje aos gastos dos contribuintes ultrapassam os limites dos tribunais de justiça. Até um tal ?Imposto de Marinha?, aplicado sobre terrenos próximos às marés, que já não era barato, inexplicavelmente, em um ano, sofreu aumento de mais de trezentos por cento. Se isso não é um assalto, não sei mais o que é. (*) É médico e professor da Ufal.