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| ELIANA CAVALCANTI * Eram 21 horas quando abri o meu e-mail e fiquei sabendo que, no dia seguinte, haveria no Studio de Danças, em Recife, escola de balé de Ruth Lomachinski e Lucia Helena Gondra, uma audição para uma nova grande companhia de balé de São Paulo. Mesmo que nós tivéssemos bailarinos interessados na tal audição, não daria tempo de chegar até lá. Não sei se o mesmo aconteceu com o restante dos Estados nordestinos (Recife foi escolhida por sua posição geográfica privilegiada), ou se foi só Maceió que não foi avisada. Seis outras cidades sediaram a primeira fase do concurso (incluindo Buenos Aires), que finalizou em São Paulo, com sua seleção definitiva. Mas a questão que desejo abordar é outra. Recebi, recentemente, a visita de dois profissionais da dança, em nossa escola: Guivalde Almeida e Guilherme Oliveira, respectivamente, diretor e 1º bailarino da Companhia Brasileira de Danças Clássicas, de São Paulo. Curiosa, perguntei-lhes sobre a nova companhia de balé. A São Paulo Companhia de Dança deve encher de orgulho os paulistanos. Aquela cidade já tem excelentes companhias, como: Cisne Negro, Stagium, Balé da Cidade de São Paulo, essa ligada à prefeitura, e agora, uma do Estado. Isso, sem contar com outras companhias de menor projeção nacional como é o caso da companhia dirigida pelo Guivalde que já nos prestigiou no Festival Nacional Dança em Cena, do qual tenho orgulho de ter sido diretora juntamente com Fernando Arruda. E nós ficamos daqui: olhando, sonhando, matutando. Por que tanta diferença? Infelizmente, não temos nenhuma lei de incentivo funcionando, nenhuma companhia de balé verdadeiramente profissional. Tudo aqui é ilusão. O esforço, não só meu, mas de outros profissionais competentes, passa despercebido. O Ballet Íris de Alagoas, primeira companhia profissional de balé de nosso Estado (só no nível técnico), penou durante 21 anos e não conseguiu se profissionalizar. Dançava o ano todo, muitas vezes com duas estréias num só ano, além de muitas excursões por todo o Brasil, diga-se de passagem, com dificuldade financeira, contando os trocados. Encerrei sua história em 2002, afinal, para que se enganar a esse ponto? Para que tanto sofrimento? Uma pergunta única que fiz ao Guivalde me fez compreender toda uma verdade. ?Como surgiu essa nova companhia?? E ele respondeu: ?Decisão política!? Está aí a resposta. (Fiquei sabendo, inclusive, que a esposa do governador Serra foi bailarina). (*) É bailarina e professora de dança.

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