Opinião
Educa��o ambiental
| WAGNER WILLIAMS * Nenhum enunciado ecológico terá serventia para um maceioense enquanto nesta Maceió não se fixar a necessária educação ambiental. O meio ambiente não se limita a áreas verdes. Qualquer espaço onde estivermos é meio ambiente, e é talvez esse postulado que os poderes públicos não querem depreender. Afinal, só pode ser isso que explique a má distribuição de lixeiros nos bairros, a carência de serviços de limpeza nas periferias, a incongruente coleta de lixo, os contêineres postos indevidamente nas vias, os esgotos e canais poluídos a esmo, o parco investimento em moradias para desocupar áreas de risco. As ruas de Maceió são algo de todos; no entanto a maioria dos cidadãos ? ricos e pobres ? vêm tornando-as algo de ninguém. Habituou-se jogar ao chão, em jeito estúpido, tudo o que se consumiu: entulhos, restos orgânico e inorgânico. A elite, educada que é, teima sujar a via pública com o excretar de seus cãezinhos. Motoristas e passageiros preferem lançar objetos nas avenidas a mantê-los no veículo. Urina-se, defeca-se nas calçadas; arremessam imundícies nos rios. Bueiros obstruem-se de lixo. Logo, ao chover, o que mais poderia suceder à Cidade Sorriso senão o pranto vindo dos alagamentos, dos desabamentos e das infecções? Ora, culpar as chuvas por isso é encobrir os reais responsáveis. Urge empregar, de modo enfático, a tão discutida educação ambiental; e ela tende a acontecer a partir do sentimento de cuidado, que é um universal na alma humana. As escolas, universidades, cursos profissionalizantes podem valer-se mais corriqueiramente de disciplinas e oficinas voltadas para o tema. As instituições políticas devem promover campanhas incessantes de proteção e envolvimento civil para com o ambiente urbano. Os órgãos da saúde têm de ir porta a porta dos moradores, orientando-os com apelos claros e persuasivos. O município invista e dê maior atenção à limpeza da urbe e aos programas de habitação popular. Empregue-se multa aos sujeitos responsáveis por sujarem ambientes coletivos. A família se empenhe a educar sem restrições para o zelo com o que é público. Jogar lixo no lixeiro não é mais questão de etiqueta; é questão agora de sobrevivência. Se conseguimos mudar a nossa forma de viver em torno do consumo de mercado ? protagonista da degradação do meio ambiente, por que não haveremos de mudá-la em torno da natureza que nos possibilitou a vida? (*) É estudante de Letras da Ufal.